Empresários da Huíla apontam obstáculos aos negócios

O mau estado das vias de acesso às zonas de exploração mineira, a falta de divisas e de crédito bancário constituem os principais obstáculos dos empresários do subsector das rochas ornamentais na província da Huíla

Estas dificuldades foram apresentadas ontem pelos empreendedores do ramo, durante a Conferência Internacional e Exposição do Mineiro que a Huíla acolheu. Além daqueles impedimentos, os empresários, que foram unânimes em afirmar que a província tem um potencial enorme de rochas ornamentais, indicaram também a dificuldade de comunicação entre as administrações e a comunidade de áreas de exploração.

A exploração e a exportação de rochas ornamentais, segundo os empresários, ainda não satisfazem por causa destas barreiras indicadas, que impedem o aumento da produção. A propósito da questão, o sóciogerente da empresa de Rochas Ornamentais de Angola (Rodang), Marcelo Siku, disse que continuam a ter dificuldades nas vias, sobretudo, porque a exploração é feita em áreas de difícil acesso, a título de exemplo, disse que estão nas regiões do Curoca (Cunene), Virei (Namibe), Tchicuatite e Gambos (Huíla) e os camiões atrasam a chegar ao Porto do Namibe.

“Temos investido parte das nossas receitas para a manutenção ou abertura de novas estradas, vias terciárias, situação que tem dificultado o nosso trabalho, pois um camião que devia fazer duas a três horas a chegar ao Namibe, faz quatro a cinco e fazemos apenas uma viagem por dia, atrasando o transporte”, contou o gestor. Já o proprietário da empresa Rimi Angola, Mário Duarte, cujo empreendimento funciona há quatro anos, referiu que abriu mais de 200 quilómetros de via de comunicação terrestre para exploração, sem o apoio da banca.

Referiu que as autoridades tradicionais criam impasses para que eles realizem os seus trabalhos, pois pensam que estamos a violar os espaços deles e ficam dois a três anos a espera de uma decisão e a burocracia administrativa, porque para licenciar têm de, antes, assinar acordo e reunir com as autoridades tradicionais, um processo moroso.

“Temos de melhorar na questão da relação entre o empresário, as autoridades tradicionais e as administrações, acabando com o regionalismo, sendo que se existir uma produção em grande escala, a comunidade é sempre beneficiada, com infra-estruturas sociais. Poderia explorar há mais de um ano, mas com esses entraves não consigo. Queremos também que os bancos olhem mais por nós”, apelou o interlocutor.

Por seu turno, o director de Marketing da empresa de exploração mineira Rupsil e Filhos, Emanuel Silva, que opera em Luanda, Huíla e Namibe, afirmou que o mercado está competitivo, mas contam com boas parcerias, embora tenham dificuldades em encontrar novos parceiros investidores. Salientou que esperam atrair novos investidores com a actividade, uma vez que só actuam com o mercado externo e têm como principal destino da sua produção a China.

O chefe do departamento de exportação da empresa HM Granitos, Elias Cipriano, destacou que as dificuldades são transversais, referentes à crise económica e financeira do país – o acesso às divisas, assim como à desvalorização da moeda nacional. A HM Granitos, sediada em Luanda, com filiais no Cuanza-Sul, Namibe e Huíla, tem uma média de produção, para exportação anual, de 14 a 16 mil metros cúbicos para países como a China, Espanha, Alemanha, Portugal, entre outros. A produção de rochas ornamentais na província da Huíla é de 22 mil e 450 metros cúbicos por ano, sendo que existem 16 operadoras localizadas nos municípios dos Gambos, Chibia, Quipungo, Lubango, Humpata, Quilengues.

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