Taxistas sugerem a formalização do sector informal no combate ao desemprego

O presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas, Geraldo Wanga, em entrevista a OPAÍS, sugere que o Estado passe a reconhecer como formais algumas actividades económicas informais, como forma de sair do desemprego que afecta também este sector. O serviço de táxi está a absorver muitos cidadãos desempregados, mas para muitos ainda não é considerado emprego

Por:Romão Brandão

Com a crise a se agravar, algumas das profissões que eram por muitos desprezadas, como a de taxista, estão a ser aproveitadas. Muitos daqueles que ontem eram engenheiros, por exemplo, perderam o emprego e foram acolhidos nos serviços de táxi, sendo que outros não seimportam em trabalhar até mesmo como lotador (indivíduo que chama e convence os passageiros a subirem no táxi).

“Está difícil para todos”, afirmou Geraldo Wanga, presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas, e como se não bastasse, segundo ele, nós temos de encontrar o “antídoto” para fazer face ao crescente índice de desemprego. “O nosso sector também não foi poupado, pois tem registado um crescimento do número de taxistas que ficam sem os carros, por incapacidade financeira dos patrões e dos empresários na compra de viatura”. Mais de 1900 taxistas perderam as suas viaturas porque o patrão, face a crise económica e financeira, viu-se impossibilidade de acudir a questão a avaria mecânica; outros porque o patrão contraiu dívidas e está sem condições de sustentar a viatura.

Pelo que a ANATA tem registado, hoje cada viatura corresponde a cinco motoristas e três cobradores, isto é, para que ninguém fique sem ter onde tirar o pão e sustentar a sua família, os motoristas e cobradores vão alternando os dias de trabalho – o que tecnicamente é chamado de “falida”. O presidente da ANATA disse estar a acompanhar os pronunciamentos do Presidente da República, João Lourenço, que na sua opinião, do ponto de vista teórico, mostra vontade política em resolver a questão do desemprego, mas a prática tem mostrado o contrário. Uma das formas de minimizar o desemprego, segundo Wanga, é formalizar ou dar credibilidade a algumas actividades económicas informais.

“O que acontece é que, muitos, mesmo trabalhando no sector informal, o facto de não ser um emprego fixo ou de o Estado não dar credibilidade, consideram- se como desempregados. Se houvesse política de formalização de algumas actividades do sector informal, penso que ajudaria bastante”, explica. O cidadão, disse, tem de ver que há alguma protecção legal do Estado ao exercer determinada profissão considerada informal, pelo que, não havendo, este não considerará aquele exercício profissional como emprego. É de opinião que se deve reunir com os parceiros sociais e os sindicatos.

Para que cada um contribuísse com alguma coisa para solucionar o problema do desemprego, que infelizmente traz consigo outros problemas sociais, como a delinquência, a prostituição, e por aí adiante. Outra sugestão que apresenta como solução é o direcionamento das formações ministradas pelo MAPTESS. Acredita que se deve agir de forma mais abrangente na formação de empreendedores, pois com este tipo de formação teremos mais jovens a gerarem emprego, e depois o Estado só precisa se preocupar em criar políticas para acomodar estes empreendedores ou criar ambiente de negócio favorável.

O serviço de táxi hoje é um orgulho

O que não via antes, hoje é complemente normal, pois em busca da subsistência têm estado a ver motoristas a exercerem actividade de lotadores, professores, técnicos e até mesmo engenheiros a lutarem nas paragens para conseguirem 100 ou 150Kz na lotação de um táxi. A ANATA te vindo a registar um aumento de números de lotadores, pois só a nível da cidade capital, no último mês de Junho contabilizaram 875 lotadores e, hoje, o número está perto de 2000 lotares em Luanda.

“Entristece-nos essa realidade e tem estado a nos preocupar. Preocupa- nos ainda mais ver os profissionais do ramo, por falta de viatura, a fazerem um serviço muito abaixo do que está acostumado. Hoje, o táxi é uma opção, é um orgulho e já não sofre assim tanto menosprezo. As pessoas têm vontade de trabalhar, o país é que não está a dar oportunidades”, disse. Reconhece que há cidadãos formados e com experiencia de trabalho na área de formação que hoje veem a actividade de táxi como refúgio. É grave, a situação que estamos a viver, e “num país sério já devia ser decretado Estado de Emergência (EE). Desemprego + Seca+ Fome devia ser igual a EE”, defende.

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