Jornalistas da paz

O dia de hoje é importante para os jornalistas e para os consumidores do seu produto. É um dia para reflectir sobre o verdadeiro papel do jornalista. Em Angola criou-se uma cultura altamente tentadora que ameaça a desvirtuarão da noção que a sociedade deve ter sobre o papel do jornalista. Aqui, bom jornalista é o “activista” e muita gente se aproveita disso. Para o público, não interessa a qualidade técnica ou humana do jornalista, muito menos a ética, basta que ele seja um dos que fazem “sangue”, é o sufi ciente para ser bom jornalista. Aliás, a própria classe alimenta este equívoco. Um dos campos do logro está nas redes sociais. Aí, quanto mais se aparece, quanto mais polémico se é, quanto mais acusações infundadas se faça, quanto mais insultos, ou seja, quanto mais “não-jornalismo” se faça, maior é a percepção, errónea, de se tratar de um “bom jornalista”. Confunde- se jornalismo com activismo, jornalismo com militância. A isenção é tida como alinhamento com a parte julgada menos boa, ou como sinal de fraqueza. Neste Dia do Jornalista pela Paz, seria bom que a classe pusesse as mãos na consciência e repensasse o mal que já fez, principalmente quando se alinha politicamente apenas por alinhamento ou “paridarite”, e que refl icta no mal e na responsabilidade por ter moldado a sociedade a confundir notícia com ataque e maledicência. E em época de crise, a falta que faz um bom jornalismo, isento, informativo, ético, sem pretensiosismos a guru do que for, sobretudo nas redes sociais.

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