Jornalistas já têm Comissão de Carteira e Ética

Os jornalistas angolanos passaram, desde ontem, a contar com uma Comissão da Carteira e Ética que passará a acreditar e fiscalizar o exercício dessa nobre profissão em todo o território nacional. Nos próximos dias os dez membros da referida comissão, entre os quais está a Luísa Rogério, antiga secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), vão eleger os responsáveis para a referida comissão e darão a conhecer à Assembleia Nacional para passarem a dispor dos recursos necessários para o exercício das suas actividades, declarou ontem, a OPAÍS, o sindicalista, Teixeira Cândido.

Esse é o órgão que, dentre várias competências, tem a responsabilidade de emitir e caçar a carteira profissional que será de uso obrigatório para o exercício da profissão. De realçar que ele descreveu o 26 de Outubro como sendo um momento histórico, dia em que a classe jornalística angolana elege a sua primeira Comissão de carteira e Ética. A vice-presidente da Assembleia Nacional, Suzana de Melo, exortou os profissionais a primarem pelo princípio do contraditório na actividade jornalística, ao intervir na abertura do evento que serviu também para aprovar o Código de Ética e Deontologia Profissional.

Disse ser necessário que se dê direito de resposta e de rectificação aos entes singulares e colectivos, que têm sido tantas vezes ofendidos na sua honra e dignidade pelo incumprimento das regras básicas de jornalismo, como o princípio do contraditório. Para si, a regulação da Comunicação Social não deve ser entendida estritamente na perspectiva jurídica, mas também por via da persuasão e do diálogo, demonstrando razoabilidade e aceitar que, por vezes, a infracção se deve a aspectos conjunturais, de acordo com a Angop.

Exprimiu, também, o compromisso do Parlamento de acompanhar as actividades da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA) e o jornalismo angolano no desempenho das suas competências e no respeito pelas liberdades. Na sua intervenção, Suzana de Melo manifestou a necessidade de se banir qualquer tentativa de vitimização ou de atribuição do papel de algoz a quem quer que seja, e que o fundamental da comunicação é a mensagem.

Suzana de Melo ressaltou que a Assembleia Nacional, como casa da democracia angolana, acarinha o processo de co-regulação e auto-regulação da actividade jornalística. Augurou que o evento, em que participaram mais de 70 jornalistas, satisfaça o interesse do jornalismo angolano “e que a ética e a deontologia profissional sejam a bandeira do melhor servir”. Por outro lado, o presidente do conselho directivo da Entidade Reguladora da Comunicação Social de Angola (ERCA), Adelino de Almeida, disse que durante o evento se tentou demonstrar que a imprensa não representa, como qualquer outro, um poder absoluto.

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