Combate à ravina em tempo chuvoso reflectido em seminário

A ideia é capacitar e incentivar os cidadãos a envolveremse nos programas que visam o estancamento ou redução de progressão desse fenómeno, usando recursos naturais e locais

Uma formação sobre estancamento de ravinas em tempo chuvoso acontece hoje no anfiteatro da Administração Distrital da Cidade Universitária, para se reflectiras sobre técnicas de bioengenharia que privilegiam os recursos locais e naturais em combinação com terraplanagem para estancar este fenómeno.

“Trata-se de recursos naturais como o capim e paus, pneus descartados, redes galinheiras, que não gastam quase dinheiro algum às instituições e comunidades, mas podem trazer resultados animadores”, explicou um dos formadores, Angelino Quissonde, tendo adiantado que o certame tem a duração de 20 horas. Refira-se que as ravinas são fenómenos decorrentes de desagregação, decomposição, transporte e deposição dos solos e rochas, provocado por um agente facilitador, que, em Angola, normalmente é a água das chuvas. Segundo Angelino Quissonde, a física dos fenómenos das ravinas, no país, obriga a debruçar- se sobre dois factores que o próprio considera inalienáveis, designadamente o tipo de solos que se tem e a característica das águas das chuvas.

“No tempo chuvoso, dificilmente se consegue estancar a cabeça, o corpo e o pé da ravina de forma exaustiva, pelo facto de que, quando chove, o nível de compactação máxima da terra fica aquém dos limites estabelecidos nos elevados padrões de construção”, referiu o interlocutor de OPAÍS, tendo asseverado que todo o trabalho de construção que é realizado nessa época parece nunca ter fim, ao ponto de criar retrocessos cada vez que os trabalhos desse género avançam. Realçou que há sempre necessidade de se ir repetindo as actividades, elevando-se, deste modo, o custo de cada tarefa.

O engenheiro de construção civil, para quem os solos húmidos são os mais pesados, salientou que este tipo de terra afectado pelas quedas pluviométricas, requer mais esforço para se estabilizar. “Em época de chuva, é aconselhável conter apenas a cabeça da ravina com técnicas e procedimentos simples que, de acordo com o entrevistado, aquela que denomina “era do petróleo ou das vacas gordas” limitou os técnicos a usarem-na, em detrimento das mais dispendiosas. Ele deplora o abandono massivo da criatividade a que muitos “engenhocas” se submeteram na fase a que fez referência, tendo-se, deste modo, distanciado das soluções pontuais.

Encoraja a adoptar a capacidade de inovação, porque, para ele, quem assim procede, cria. Controlo da velocidade da água Embora tenha reconhecido que, de quando em vez, se envolve em alguns programas para a contenção de ravinas, Angelino Quissonde confessou que não é muito apologista de planos de resolução deste tipo de problema, mas daqueles que visam preveni-los. “Essas técnicas simples e naturais, ajudam-nos a controlar ou mesmo reduzir a velocidade da água das chuvas e evitar que a ravina progrida a montante, sobretudo na parte superior, impedindo, dessa forma, que haja derrubes de casas, estradas, escolas e outras estruturas, que podem rapidamente condicionar a vida dos cidadãos.

O preferível capim de raízes grandes Questionado sobre a natureza do capim de que fez alusão no discurso inicial, o engenheiro de construção civil asseverou que se deve escolher capim com raízes radiculares ou grandes densidades de raízes, a fim de absolverem a maior quantidade de água e criarem maior adensamento nos solos, porquanto as raízes ocupam os volumes vazios de ar, criando uma cimentação com o solo. “Tornam a terra mais compacta e obstruem o deslocamento de terra, por via da água.

Adiantou que, em Angola, as ervas com as características citadas são conhecidas como capim feitiço, elefante e vetiver, além de pangola e dianga zaputu, entre outras que podem oferecer segurança no capítulo da sucção e diminuição das águas das chuvas. Relativamente às folhas de árvores, aconselhou as densas com estruturas complexas, de modo a abrandar a velocidade das águas das chuvas. O bambu não fi cou fora da lista dos recursos naturais para a contenção de ravinas.

Comunidade na campanha

A envolvência da comunidade nos trabalhos de soluções pontuais é determinante, no entender de Angelino Quissonde, que defende serem necessárias acções formativas que tenham os habitantes das zonas afectadas por ravinas como alvos. “Sobretudo capacitar os actores mais activos das comunidades, de tal forma a conseguirem identifi car os sinais que a natureza emite antes do surgimento de uma ravina

Província-mais em ravinas

Com base em dados provisórios do Departamento de Informação Geográfi ca do Ministério da Construção e Obras Públicas, no país, estão registadas mais de 600 ravinas. A mesma fonte aponta o Uíge como a província mais endêmica em relação a esse fenômeno natural, com cerca de 170, sendo que a menos afectada é a do Bengo. Luanda ocupa o quinto lugar com mais de 100.

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