Desumanidade

Não é estranho o que se passa com a água em Luanda? Há cidades que vão buscar o líquido a centenas de quilómetros e ainda assim o abastecimento é regular. Em Luanda não. Aliás, em Angola não.

Até em cidades como Menongue, com um rio a parti-la ao meio, as pessoas fi cam sem água nas torneiras. É mais do que um absurdo, é uma condição de infra-humanidade e de infra-incapacidade mental que não devemos aceitar. Em algum ponto, em algum momento, as capacidades mentais e biológicas dos angolanos têm de ser iguais às dos outros seres humanos. Ou, se calhar não, e é melhor desistir mesmo, abandonar o país e ir viver onde haja racionalismo e níveis mínimos de humanidade.

A Rádio Mais passou, na semana passada, uma reportagem sobre numa comunidade que vive nos arredores da centralidade do Kilamba e que consome água dos esgotos. Isto quer dizer que aquela comunidade está a menos de dez quilómetros da central da EPAL, a empresa de águas, do Kikuxi, tal como estão as comunidades do Jardim de Rosas, Jardins do Éden, Bom Sossego ou Condomínio dos Jornalistas, Lar do Patriota, Talatona, etc., aliás, em Talatona está a sede da EPAL e também um centro de distribuição de água. Pensar que estas comunidades fi cam meses sem água da rede pública é o mesmo que dizer que este país não tem conserto possível. Infelizmente é a realidade.

E não nos espantemos com o número de pessoas que estão a abandonar o país. Chega- se a um ponto em que nem os anjos aguentam. E, o cúmulo, sabe-se que há quem ganhe muito dinheiro com esta situação, ou seja, com a morte dos que consomem água dos esgotos. Lamento, mas para dizer que isto é gente, que são humanos, há que fazer um esforço descomunal, eu não consigo.

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