Munícipe apela a mais fiscalização das ajudas no Sul do país

Políticas como a “fome zero”e cesta básica para todos sem excepção, seriam importantes se postas em prática agora, porque as pessoas estão a morrer e as crianças correm o risco de não atingir pelo menos os 10 ou 15 anos, afi rmou, em Luanda, Cecília Kassapi, residente no município dos Gambos, missão do Chepepi

A cidadã Cecília Kassapi revelou que as ajudas que chegam a região Sul do país devem ser mais reforçadas na sua fi scalização, tendo em conta que muitas vítimas não têm acesso a estes bens. “As ajudas não chegam como uma medida única e de forma igual para todos. Em função disso, as pessoas estão desnutridas, sendo mais afectadas as crianças, as mulheres e, sobretudo, as grávidas. Estas fi cam muito vulneráveis e suscetíveis de contrair qualquer tipo de doença”.

Pelo facto, é de opinião que o Estado aplique com urgência políticas como a “fome zero” e cesta básica para todos, sem excepção, de modo a mitigar a situação, porque as pessoas estão a morrer e as crianças correm o risco de não atingir pelo menos os 10 ou 15 anos. Quanto aos jornalistas, sugeriu que se rompesse a barreira da distância e fossem mais para o interior das regiões afectadas pela seca, para mostrar ao país a realidade da situação.

Cecília Kassapi explicou que o dia-a-dia das mulheres é muito difícil, sobretudo actualmente, em que a situação é mais crítica, mas lembra que o período da seca não é novo na região, tendo em conta que a terra é semi-árida e desde os seus antepassado sempre se registou seca cíclica. Neste sentido, apela aos governantes a terem maior cuidado ao elaborar programas concretos. Urge que esses planos venham de facto responder aos desafi os climáticos, “sobretudo hoje, já que o mundo inteiro clama das alterações climáticas e nas zonas que mesmo em tempo de abundância registaram sempre este défi cit a situação é ainda mais grave”, frisou. De acordo com Cecília Kassapi, os anciãos na sua região contam que situação do género sempre aconteceu e, ao longo da história, quer no período colonial ,quer pós-colonial, Independência e pós-guerra, até ao momento nenhuma medida sustentável foi aplicada. Como consequência, a vida humana está a pagar um preço alto, sendo as crianças e mulheres as mais afectadas. Para providenciar alimentos “não se consegue água, porque muitos pontos de água secaram, os animais também padecem por escassez deste bem, para conseguir é necessário andar longas distâncias e geralmente não conseguem uma água saudável”.

Porque no mesmo espaço que os animais usam para os seus benefícios, as pessoas também consomem da mesma água, “a vida humana radicalizou-se muito, não conseguimos descobrir a máxima “a vida humana está acima de tudo, As medidas tomadas até ao momento são muito paliativas”. Lembrou ainda que há muito tempo que têm clamado, apelado, gritado que no Sul do país, concretamente nas províncias do Namibe, Cunene e Huíla, na situação em que vivem actualmente, a vida não espera pelas tomadas de decisão das macropolíticas. “As mulheres chegam a subir nas árvores grandes para tirar o ioiande (fruto silvestre), com o objectivo de alimentar-se e o que sobra levam a outras localidade para fazer a permuta, geralmente com a fuba. Uma senhora caiu da árvore e acabou por morrer”.

As mulheres estão a sacrifi carse muito, tendo em conta que são as que têm maior responsabilidade no seio da família. Já os homens, se aparecer uma oportunidade de trabalho fora da sua localidade vão-se embora!”

error: Content is protected !!