O efeito autárquico do congresso da UNITA

UNITA, aparentemente, deixou cair a sua reivindicação de eleições autárquicas simultâneas, ou seja, contra o gradualismo geográfico. Pelo menos a retórica baixou.

Mas haverá um plano B que o partido pode estar a usar e parece estar em prática já com o congresso de Novembro. Há cinco candidatos a presidente que agem respeitando um pacto de não agressão. A campanha está mais virada para as qualidades de cada um do que contra os defeitos dos outros. E nem contra o mandato cessante.

Mantendo-se Samakuva na vida política activa, na prática, este congresso serve como janela mediática para seis putativos candidatos a presidente de câmara. Vai ganhar um, mas ganham todos. Todos eles estão na rampa de lançamento para as autarquias, todos eles estão a “sensibilizar” as bases e a piscar o olho para fora do partido, e esta sessão de democraticidade interna é um trunfo. Poderemos ter os quatro candidatos que não ganharem e Samakuva já embalados para as autarquias que o gradualismo definir. E são candidatos muito fortes. Com estes importantes candidatos a presidente de câmara, se ganharem, a seguir começará a caminhada, já facilitada, para as eleições gerais de 2022. E o seu adversário principal está a facilitar-lhes a vida, o MPLA está a perder-se em tensões internas desnecessárias, está a perder o poder de fogo político. Neste andar, se não estou enganado, a UNITA pode estar a contar já com seis municípios praticamente ganhos, principalmente naqueles em que obteve boa votação em 2017, alguns deles na província de Luanda.

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