TEACH chamado a cobrir “isolamento” nas acções dos professores

Trata-se de uma ferramenta do Ministério da Educação que vai ser usada para identificar os pontos fortes e fracos de cada professor, por via de observação de aulas, nas escolas do ensino primário

A ministra da Educação, Ana Paula Tuvange Elias, assegurou que a ferr a me n t a formativa denominada TEACH pretende tirar os principais intervenientes do processo de ensino e aprendizagem do teórico isolamento a que parecem estar remetidos, atendo-se no seu objectivo que consiste na observação e monitorização das actividades dos docentes primários, oferecendo, igualmente, oportunidade para avaliar o que sucede na sala de aulas.

Ana Tuvanje Elias referiu que esta formação engloba três províncias, nomeadamente as de Luanda, Bengo e Cuanza-Norte. E nestes três ciclos provinciais estarão presentes profissionais ligados a metodologias pedagógicas para puderem fornecer conhecimentos e ferramentas, a fim de lidarem com certas especificidades na sala de aulas e não só”.

“Nós temos conhecimento de que o professor é um intersector, devendo ser também um agente que promove a interacção na sala de aulas. O que o Teach vem acrescentar é fazer que essa interação para com os alunos seja activa, mas, para que isso aconteça, temos de elevar a própria competência e qualidade dos professores na turma.

Por isso surgem vários tipos de projectos e ferramentas que possam ajudar a tirar esta imagem de isolamento que o professor tem tido na sala de aula”, detalhou a ministra, para quem o professor tem de ser dinâmico, pautandose por uma atitude progressista. Por isso, o Ministério da Educação procurou optar por essas qualidades ou competências, implementando certos projectos que possam facilitar o processo de interacção dos professores com os alunos, antes, durante e depois das secções lectivas, na sala de aulas, soube OPAÍS da dirigente que procedeu, ontem, à abertura da acção de treinamento piloto sobre supervisão pedagógica (TEACH) no Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (INFQE).

Segundo apurou este jornal da entrevistada, o número que comporta essa acção formativa ronda por volta dos 150 e 200 professores e a ferramenta enquadra- se no alinhamento daquilo que consta no documento jurídico-legal que cria o Instituto Nacional de Formação de Quadros (INFQE), o Decreto Presidencial 205/18, de 3 de Setembro, que contempla o desafio de formação de especialistas na área da educação.

“Este projecto tem vários módulos que possuem diferentes etapas, sendo uns com duração de 25 dias, enquanto outros possuem um horizonte temporal de 20 dias. A previsão é formarmos esses docentes num período não superior a três meses”, detalhou.

Relactivamente à existência de muitos projectos que visam acções formativas, a ministra argumentou dizendo que o compromisso de todos os intervenientes deve ser de tentar levar em acção todos os planos que contribuem para melhorar a qualidade de ensino, particularmente para a capacitação dos docentes.

Experiencias em outros países animam adopção

O facto de outros países de África já terem implementado essa ferramenta e, consequentemente, terem colhido resultados satisfatórios anima a ministra da Educação e o seu elenco, por considerarem que a realidade dessas regiões do “continente berço da humanidade” não difere muito da de Angola.

“Aproveitamos o facto de essa ferramenta já ter sido usada por países africanos, como é o caso de Moçambique, e os resultados foram fiáveis. Também é por isso que nós temos de continuar com a esperança de que todo o projecto que é implementado pelo Ministério da Educação é para ajudar na qualificação dos nossos docentes. Acreditamos que, com essa ferramenta poderemos alcançar resultados satisfatórios, porque a mesma poderá medir a cultura de aulas, a própria instrução e as capacidades emocionais que devem ter dentro das salas de aulas”, realçou Ana Tuvanje Elias.

Finalmente, considerou que o profissional deve ter esse instrumento para poder medir estas variáveis. “Queremos crer que os seleccionados para este programa possuem perfis adequados, que conseguirão dar resposta e, por via, disso melhorarmos a qualidade de ensino”, vaticinou.

Instrumento de supervisão

Ao debruçar-se sobre o TEACH, a directora-geral adjunta do Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação, Paula Bravo da Rosa, salientou que, a partir das diferentes fases da implementação do projecto, se percebeu que o TEACH é uma ferramenta que vai ajudar o professor a desenvolver conhecimento, habilidades, atitudes dos alunos e promover a oportunidade das diferentes áreas que o projecto aborda, como a cultura de sala de aulas e actividades socio-emocionais. Paula Bravo da Rosa adiantou ainda que a formação ajudará o supervisor pedagógico na observação de aulas, de maneira a contribuir para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, já que uma das metas do acto formativo passa por treinar formadores de formadores TEACH, com a intenção de desenvolverem e consolidarem os objectivos preconizados pelas suas actividades. Neste contexto a supervisão foi instrumentos defendido pela interveniente .

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