TURA pode voltar a circular em Luanda

Uma luz no fundo do túnel poderá acender para a Transportadora TURA, com o anúncio de que a cidade capital contará, nos próximos dias, com mais 220 autocarros, a serem entregues pelo Ministério dos Transportes. A direcção da empresa diz estar preparada, embora não tenha oficialmente recebido nada, mas o sindicato de trabalhadores não acredita que a entidade empregadora tenha dinheiro para se reerguer

Com mais 220 autocarros para reforçar a actual frota operacional de 202, do total de todas as empresas de transporte rodoviário urbano de passageiros em Luanda, o Governo da Província de Luanda, segundo garante Amadeu Campos, do Gabinete Provincial de Transportes Tráfego e Mobilidade Urbana, já preparou um estudo onde estão definidas 109 rotas, com os respectivos itinerários, de modo a aumentar a mobilidade das pessoas e alcançar as centralidades onde não existem linhas de autocarros.

A empresa TURA, que opera neste sector há mais de 15 anos, está praticamente parada e com dívidas salariais com os trabalhadores. Este anúncio, da entrada de mais autocarros na capital, foi encarrado com positivismo por parte da direcção da TURA, mas por não existir nada oficial ou documentado, não cantam vitória.

De acordo com José Junça, o director da Transporte Urbano Rodoviário de Angola (TURA), em princípio, a sua empresa poderá ser contemplada, “mas não temos nada oficial, de momento. Nós não nos guiamos por informações verbais, por isso, estamos à espera das oficiais”, disse ao Jornal OPAÍS.

O director garante que, apesar da situação que a empresa atravessa, estão preparados para o recomeço, desde que se Uroficialize o processo. Por outro lado, José Junça afirmou existir uma escassez de autocarros para atender a demanda da cidade de Luanda.

Para o coordenador do sindicato de trabalhadores da TURA, João Queta Tomás Caetano, é necessário analisar profundamente o problema da TURA e não ver somente a possível retoma das suas actividades. A TURA tem um problema interno e não propriamente do Governo, segundo o sindicalista, que leva a que tenham seis meses de salário em atraso.

Para além dos salários em atraso, a direcção da TURA não pagou os subsídios de férias do ano 2018, bem como de Janeiro até ao presente mês. “É um problema interno que deve ser resolvido, um problema de gestão. E, por outra, a TURA não pode só depender do Estado, deve criar estratégias no sentido de garantir a sustentabilidade”, disse.

“Autocarros não serão dados de borla”

Para João Queta, também não é nada concreto a garantia dada pelo Governo, até porque os autocarros serão adquiridos e não “dados de borla” para as empresas transportadoras, conforme se fez nos outros anos. A TURA, outrora, beneficiou de autocarros do Estado e não conseguiu, segundo o interlocutor, renovar a sua frota, para além de ter todos os veículos parados.

“A informação que nós temos do ministério de tutela é que os autocarros serão entregues, mas as empresas entrarão com alguma participação e ir amortizando as dívidas. Quem tiver dinheiro pode ir e adquirir os meios, mas eu não estou a ver a TURA com dinheiro para tal, já que está na situação em que está: em decadência”, sublinhou.

O problema com os trabalhadores já está no tribunal, segundo João Queta, e seria bom que se resolvesse já, antes mesmo de se resolver o problema dos transportes. A entidade patronal deve ser honesta, credível e transparente e dizer até onde pode.

“Os trabalhadores da TURA estão a passar por dificuldades extremas, alguns foram tirados das casas de renda, outros estão doentes e não conseguem dinheiro para o tratamento, filhos estão sem estudar, etc.. São no total 385 trabalhadores nesta situação”, finalizou.

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