Kangamba “perde” bens por dívida de cerca de USD 15 milhões

Kangamba “perde” bens por dívida de cerca de USD 15 milhões

Segundo apurou este jornal, o general na reforma, empresário e dirigente desportivo não conseguir liquidar, dentro de um prazo previamente acordado, a dívida contraída aos cidadãos Teresa Gerardin e Bruno Gerardin, autores da acção judicial.

Por presumivelmente veremse prejudicados, ambos decidiram recorrer à justiça, requerendo alguns dos bens do casal Bento Kangmba e Avelina dos Santos, indicando como fiel depositário Joaquim Manuel da Graça da Silva.

O casal requerente é proprietário da empresa Teresa Gerardin – gestão e investimentos, S.A, constituída a 30 de Julho de 2008 no Cartório Notarial do Guiché Único de Empresa, na presença da notária Maria Isabel Fernandes Tormenta dos Santos.

No momento da sua legalização, os seus sócios indicaram como sede da aludida empresa o apartamento D, localizado no 4º andar do edifício 104 da avenida Comandante Gika, no bairro Alvalade, em Luanda.

Essa empresa está vocacionada para o exercício de gestão empresarial, administrativo e de quaisquer tipos de participações próprias ou alheias, bem como de quaisquer bens móveis ou imóveis, assim como a sua compra para venda.

A Teresa Gerardin – gestão e investimentos, S.A tem um capital social de 20 mil dólares (na data da sua criação equivalia a um milhão e 500 mil Kwanzas), representado por 4000 acções avaliadas em 5 dólares (375 kwanzas) cada, na altura, de acordo com documentos a que OPAÍS teve acesso.

De realçar que a Organizações Kabuscorp (Kangamba Corporation Business, Comércio Geral, Desporto e Recreação, Transporte, Saúde, Importação e Exportação), sedeada na rua F, do Palanca, além de Bento Kangamba tem outros dois proprietários, nomeadamente Eva André dos Santos e Bento do Amaral Aristides, segundo documentos a que OPAÍS teve acesso.

Os bens em causa

Entre os bens de Kangamba e Avelina dos Santos que passaram a estar sob gestão de Joaquim da Silva, com a execução do mandado judicial de arresto, datado de 28 de Outubro, estão prédios rústicos “designados por lotes G13 e G14, numa área de 674m2”, localizada na comuna da Chicala, município da Ingombota, em Luanda.

Na lista que a juíza Miryam Macedo ordenou o arresto figuram ainda um “prédio nº 255, localizado nas Ingombotas”, quatro veículos, sendo dois de marca Mercedes Benz, modelo ML 6.3 AMC, fabricado em 2007, outro modelo Benz, motor V.8, fabricado em 2011, um Nissan Patrol, bem como um Hyundai, modelo Santa Fé.

De acordo com uma fonte próxima ao empresário Bento Kangamba, contactada pelo OPAÍS, as residências a que o documento faz menção não lhe pertencem. Especificou que o seu patrão tem uma residência na Praia do Bispo e outra em Talatona, onde reside com a família.

Esclareceu que o patrono das Organizações Kabuscorp não foi desalojado. Por outro lado, recusou-se a prestar quaisquer informações sobre o processo número 68/18-F, que corre os seus trâmites na 2ª Secção da Sala do Cível e Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda.

Sem rodeios, afirmou que só o Tribunal que emitiu o aludido mandado de arresto está em condições de esclarecer a quem pertencem realmente os imóveis, descartando qualquer possibilidade de serem de Avelina dos Santos.