Mais de 200 chineses interessados na economia angolana

Mais de 200 chineses estão interessados em conhecer a actual situação do ambiente de negócios no país, de modo a contribuir para o crescimento económico. Por essa razão, o economista Carlos Rosado foi convidado a falar sobre a realidade macroeconómica de Angola para a comunidade chinesa

Durante duas horas, as atenções dos empresários chineses inscritos na Camara de Comércio Angola-China estavam direccionadas para a realidade macroeconómica de Angola, principalmente a desvalorização do Kwanza, o novo Imposto de Valor Acrescentado (IVA) e flutuação do câmbio.

O evento teve lugar na Segunda- feira,27, na empresa Sinohydro e contou com mais de 200 empresários chineses. Com o tema “ Angola desenvolvimento macroeconómico”, o principal objectivo da palestra foi mostrar a actual situação económica no país e a perspectiva para os próximos anos.

Durante o seminário, o economista Carlos Rosado debruçouse sobre temas como a marcha da economia angolana de 1970- 2019, o PIB e os preços correntes, o papel de Angola no mundo e na África Subsariana, Orçamento Geral do Estado, Dívida Pública, mercado cambial angolano, previsão do Produto Interno Bruto (PIB) durante a presente legislatura, o baixo crescimento do mundo e da África subsariana até 2024, dívida pública, entre outros temas.

Na opinião de Carlos Rosado, as estratégias para superar a crise económica em Angola, passam pela consolidação fiscal para conduzir a dívida pública a níveis mais seguros, maior flexibilidade cambial para recuperar a competividade, política monetária que suporte a redução da inflação, fortalecimento do sistema bancário na melhoria do ambiente de negócios, combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo e reforço na Governação.

De acordo com o investigador de economia de Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa (CEPLP), Shang Jinge, a comunidade chinesa em Angola não está somente interessada em lucrar nos negócios, mas sim aprofundar o conhecimento do paradigma económico no país, para manter as empresas e contribuir para o crescimento de Angola.

Segundo ele, os empresários chineses no país pretendem conhecer as políticas económicas angolanas, por essa razão, é essencial recorrer a especialistas do sector económico, que procuram transmitir o seu conhecimento através de palestras e seminários para dar a conhecer o verdadeiro quadro económico.

“A moeda nacional, o Kwanza, está a desvalorizar cada vez mais e a entrada do novo Imposto de Valor Acrescentado (IVA) no mercado faz com a comunidade chinesa procure soluções para manter as empresas. Daí a necessidade anaisar as perspectivas do desenvolvimento da economia angolana”, explica.

Sem apontar números, Shang Jinge avançou que algumas médias e pequenas empresas de chineses foram forçadas a encerrar, tendo em conta a desvalorização do Kwanza.

Kwanza desvaloriza 20% desde o início do mês de Outubro

Os dados oficiais divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA). A moeda nacional volta assim a perder valor, acumulando uma desvalorização de cerca de 20% desde o início do mês corrente, quando o valor médio a 01 de Outubro era de 378,11 Kwanzas/dólar. Na passada Quinta-feira, as transacções valiam 442,57 Kwanzas/dólar.

No início do ano, o BNA tinha já retirado o limite de 2% de imposto aos bancos no leilão de divisas e elimina agora a margem de 2% que os bancos podem aplicar, esperando encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.

O comité de política monetária do BNA decidiu também manter inalterada a taxa de juro nos 15,5% e ajustou de 17% para 22% o coeficiente de reservas obrigatórias para a moeda nacional.

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