Governo “encoraja” valorização da mandioca pela via do conhecimento e crédito financeiro

Num evento com empresários sobre “cadeia de valores” de produtos como a mandioca, milho, soja e frango, o secretário de Estado do Planeamento, Sérgio Santos, recomendou aos empresários para que deixem de olhar para os portos de Luanda e Lobito como pontos de entrada de produtos importados, mas antes como portas para saída dos nossos para aquisição de divisas que tanta falta fazem ao país

Angola precisa de transitar de uma economia virada para a importação para uma economia virada para a produção interna. A ideia foi defendida esta semana pelo Secretário de Estado Para a Economia do Ministerio da Economia e do Planeamento durante a realização do Fórum sobre as experiências, desafios e oportunidades das cadeias de valor da mandioca, milho, soja e frango.

No evento, uma organização do Ministério da Economia e Planeamento e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Sérgio Santos, considerou que, apesar de este caminho ser o mais difícil o país está a viver um momento interessante com a ocorrência de um choque externo, em que Angola tem menos divisas e forçada a adaptar-se ao conceito de abandono da importação, por falta de divisas para a produção interna dos produtos e bens necessários.

Segundo o secretário de Estado, no passado, a importação de “Se eu posso importar a farinha, porque que eu hei-de importar trigo para produzir localmente a farinha? Por causa desta lógica da facilidade que existia na importação de bens de consumo final, muitos bens de capital não foram importados”, frisou o governante.

Aquele responsável denunciou ainda que muitas das importações de equipamentos, máquinas, peças e sobressalentes “foram uma porta para transferir lucros para fora do país”.

A lógica cingia-se no facto de “porquê que hei-de comprar máquinas que custam no mercado nacional 1000, se posso com argumento de fazer um projecto de investimento comprar a 100 mil no estrangeiro”, interrogouse o secretário de Estado.

Para ele muita gente fez projectos de investimento, porque existia a disponibilidade de cambiais e nos projectos de investimento colocavam equipamentos sobrefacturados.

O secretário de Estado acredita que doravante a prioridade vai ser “a importação de bens de capital porque já não é tão atractiva a compra de bens de consumo como era até há pouco tempo”.

O dirigente apelou à resiliência dos empresários no sentido de não se apegarem à perda de valor da moeda nacional em relação à moeda externa e considerar este fenómeno uma “oportunidade”.

Falando concretamente dos produtos seleccionados para abordagem em workshop subordinado ao tema “desenvolvimento das cadeias de valor” o responsável revelou, por exemplo, que em relação a mandioca, milho, soja e frango, a sua produção começa a ser mais barata em Angola e consequentemente podem tornar-se rapidamente em produtos competitivos para a exportação.

“A terra tornou-se mais barata, a matéria-prima e mão-de-obra idem. Por isso vamos apostar e deixar de reclamar com a nossa sorte.”

Os dias estão contados para quem faz o comércio de “importa- exporta”, como acontece com quase todas as empresas a operar no mercado. Daqui para frente, os bons dias serão para os empresários engajados no sector produtivo, enfatizou.

Conhecimento: o grande obstáculo

Muitos anos a importar e de olhos virados para os portos de Luanda e Lobito, cegaram a capacidade no que tange ao conceito de “como é que vamos produzir de forma eficiente”, segundo conclusão do governante.

“Por exemplo, produzir e transformar a mandioca em amido para fins de exportação é uma necessidade do momento. Em algumas partes do mundo, como Moçambique, já conseguem usar farinha derivada da mandioca para a produção do pão”, exemplificou.

O amido mencionado pelo responsável governamental é um tipo de carboidrato que está disponível em grande quantidade na natureza.

É um carboidrato de origem vegetal que é encontrado, principalmente, em órgãos de reserva: grãos de cereais e raízes.

O responsável promete “apoio aos produtores nacionais” com conhecimento e crédito financeiro para rapidamente colocar na rota da exportação estes e outros produtos.

Recentemente, em entrevista a OPAIS, o presidente da Câmara do Comércio Angola-China assinalou uma significativa solicitação por parte de empresários chineses de quantidades industriais da fuba extraída da mandioca e de ginguba.

O amido é um carboidrato constituído principalmente por glicose com ligações glicosídicas.

É o mais comum carboidrato na alimentação humana e é encontrado em grande quantidade de alimento como batatas, arroz e trigo, mas também pode ser encontrado em abundância na mandioca, um produto em que o país já atingiu a auto-suficiência, segundo dados do sector da agricultura.

A mandioca já foi uma cultura antes apenas predilecta nas regiões Norte, Centro e Leste, todavia, nos últimos anos expandiuse para todo o território nacional, dada a relativa facilidade no seu cultivo, a alta taxa de adaptação a condições adversas e a multiplicidade de utilização na dieta alimentar.

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