Câmara dos EUA aprova regras para inquérito de impeachment contra Trump

Câmara dos EUA aprova regras para inquérito de impeachment contra Trump

Os democratas na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovaram, nesta Quinta-feira, uma resolução que estabelece os próximos passos no processo de impeachment contra o Presidente norteamericano, Donald Trump

A votação é o primeiro teste formal de apoio para o inquérito que a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, lançou no dia 24 de Setembro. A investigação concentra-se sobre se Trump pressionou a Ucrânia a ajudar a sua campanha à reeleição em 2020, acusação que ele nega. Esta votação foi o primeiro teste formal do apoio à investigação. Os democratas, que ocupam 224 das 435 cadeiras da Câmara, só precisavam de uma maioria simples para aprovar a resolução.

A medida pede audiências públicas e a divulgação de transcrições de procedimentos realizados a portas fechadas, e também delineia que direitos os parlamentares republicanos e o próprio Trump terão de participar à medida que o processo avança. Republicanos acusam democratas de desrespeitar os direitos de Trump e de manterem o processo sigiloso demais. A Constituição dos EUA dá à Câmara uma autoridade ampla para determinar as regras básicas deum inquérito de impeachment, e os democratas dizem que seguem as regras da Câmara para as investigações. Eles prometeram realizar audiências públicas no caso contra Trump.

Os parlamentares que lideram a investigação também planeiam ouvir um depoimento à porta fechada de Tim Morrison, principal especialista na Rússia do Conselho de Segurança Nacional de Trump. Morrison renunciou ao cargo que ocupava na Quarta-feira, disse um funcionário de alto escalão do Governo. Membros dos três comités que realizam a investigação esperam que Morrison forneça mais detalhes sobre as negociações de Trump com a Ucrânia. Como Morrison se envolveu directamente nas negociações, o seu depoimento pode servir como contraponto a acusações dos colegas republicanos de Trump de que até agora o inquérito se baseou principalmente em relatos de segunda mão.

Membros dos comités convidaram uma figura muito mais importante, o ex-conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, para depor na semana que vem. Houve quem dissesse que Bolton ficou alarmado com um esforço da Casa Branca para pressionar o Presidente ucraniano a investigar rivais políticos de Trump. Se a Câmara pedir um impeachment, só será necessária uma maioria simples para desencadear um julgamento no Senado – este comandado pelos republicanos. Uma condenação exigiria o apoio de uma maioria de dois terços do organismo de 100 integrantes.