Falcão admite que negligência das “forças de segurança” leve armamento a meliantes

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, admite que parte do armamento em posse de meliantes resulta daquilo a que chama de “negligência” de muitos agentes a quem se lhes entrega o material bélico para a defesa nacional

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

Intervindo no acto nacional de destruição de armas, na UPIP, em que se procedeu à destruição de mais de 40 armas, Rui Falcão manifestou-se insatisfeito com o facto de haver armas de fogo em posse de meliantes com as quais estes perpetram acções de criminalidade, pondo, deste modo, em causa a “paz social”. Dada a gravidade do caso, o timoneiro do palácio cor-de-rosa, à Praia Morena, considera imperioso que se elevem os níveis de disciplina no seio das “forças de defesa e segurança”. Por essa razão, Rui Falcão apela aos responsáveis pelos órgãos de defesa e segurança que ensaiem as melhores fórmulas para conter a circulação indevida de meios de guerra, sejam ligeiros ou de outro tipo.

Porque boa parte desse armamento é aquele que está na base do assalto à mão armada e, inclusive, dos crimes intra-familiares”, reconhece Rui Falcão, que, recentemente, em sede de um congresso do Hospital Geral de Benguela, afirmava que os níveis de criminalidade tinham baixado significativamente e os que se registavam eram de natureza “intra-familiar”. O governante disse querer mentes “desarmadas”, de modo a promover a paz social, daí que instasse os cidadãos a procederem à entrega de armas que estejam, eventualmente, em sua posse. Por sua vez, o gestor de operações para a destruição de armas e munições da ONG “Hallo Trust”, Avelino Papel, afirmou que aquela organização destruíu, no período compreendido entre 2008 e 2019, 110 mil armas e mais de mil toneladas de engenhos explosivos entre granadas, projecteis, morteiros e minas).

Em termos de destruição de armas, o responsável da organização financiada pelos Estados Unidos da América aponta as províncias de Luanda, Huambo, Huíla e Uíge como sendo as que registaram maior número de armas. De acordo com Avelino Papel, procede-se, neste momento, ao levantamento de outras áreas minadas. Saliente-se que a ONG Hallo Trust opera em desminagem nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Cuando Cubango. Dados da polícia nacional apontam que, de 2008 a 2019, foram recolhidas 110.197 armas (de calibre diversos), sendo 80.492 entregues voluntariamente, 29.795 resultante de recolha coerciva, 161.814 engenhos explosivos, 68.920 carregadores e 765.651 munições

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