Angola tu és capaz!

Por:Israel Campos

Sinto-me regozijado por estar de volta a este espaço, depois de algum tempo em “silêncio”. Um silêncio propositado, não me estou a tentar justificar, atenção, sustentado pela turbulência dos ventos que retiram o sossego de todo e qualquer um que tente, ainda que com a melhor das intenções, descansar em nosso solo. Dizer que estamos a viver tempos difíceis pode soar redundante, pelos impactos directos da conjuntura, ou até mesmo provocativo para aqueles que não querem ouvir nem mais uma palavra em relação a este cenário desgastante que estamos a ultrapassar, quanto mais não seja vindo de um daqueles que fala “de fora para dentro”, como é o meu caso no momento. A crise está instalada, é preocupante, geral e vai para além das finanças. Paliativos nenhuns ou tentativas de maquilhagem da melhor marca a nível mundial serão capazes de ocultar esta realidade. As famílias estão mais pobres, os preços mais altos, a sociedade fragilizada e a esperança na mudança cada vez mais reduzida. Lamento informar mas esta é a maneira mais honesta que me vejo a descrever o momento actual, com preocupação e, pois claro, vontade de encontrar soluções eficazes que nos ajudem a sair desta. Para além de as vezes parecer “irrelevante”, como quem diz menos importante, – pois o povo tem fome e precisa de comer – o que estamos a viver hoje são só algumas das consequências acumuladas de um sistema brutalmente violado, corrompido e sem qualquer tipo de reserva moral, cívica e/ou patriótica. A duração do período de degradação do sistema foi tão longo que possibilitou que o anormal passasse à categoria de normal, aos olhos de quem vive e vê. E fazer o aposto, no caso o correcto, que é o normal ser normal e o anormal ser anormal (apesar de todas as relatividades que este debate nos poderia oferecer) levará muito tempo, talvez mais até do que durou o outro exercício. Não estou com isto a dizer, e Deus que me livre, que o actual Governo é “coitadinho” e que está a ser julgado por erros que não cometeu. Claro que não! Pois até estamos cansados de saber que são poucos os novatos neste “game”. Quero é dizer que estamos em um contexto em que não podemos continuar no muro. Em que, enquanto angolanos, precisamos de acreditar em algum projecto – e aqui a escolha é individual – de país melhor para todos. Hoje, mais do que nunca, sinto a necessidade de nos unirmos, enquanto um só povo e uma só nação, para que urgentemente possamos decidir que futuro queremos e teremos. Não podemos continuar a ser um país em que as crianças são obrigadas a sonhar com limitações. É impensável e irresponsável continuarmos a viver na incerteza do jogo das cadeiras do Executivo, que se reflectem em novos projectos e outros gastos, e sermos bombardeados pelos discursos de divisão de certos actores da nossa política. Angola é um país com capacidade de dar a volta por cima deste quadro actual, mesmo antes dos investidores internacionais aterrarem no Aeroporto 4 de Fevereiro, o que não acontecerá tão cedo, pelos vistos. Se houver, de facto, um compromisso sério por parte de quem de direito, baseado na definição das prioridades reais do país, somos, sim, capazes de fazer um país melhor, dentro das nossas possibilidades e limitações. Podemos até não chegar à tão sonhada industrialização do país, mas seremos capazes de dar um bocado de mais dignidade às nossas pessoas. Somos capazes. Eu acredito nisso cegamente. Temos recursos humanos competentes e capazes e isto vale mais do que o petróleo. Elas, as pessoas, são a nossa maior e mais rica reserva. Se colocarmos, por um instante, o acessório de parte e nos focarmos, todos, no que é essencial, podemos sim construir um país melhor para todos! Soa um bocado utópico, eu sei… mas é tão utópico quanto possível de se fazer.

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