Governo deve conquistar financiamento privado para combater alterações climáticas oferecendo benefícios fiscais

No primeiro Workshop de Jornalismo e Ambiente realizado em Angola, que hoje termina, com o subtema “Rumo ao Desenvolvimento Sustentável”, a decorrer desde Quinta-feira, 31 de Outubro, em Cabo Ledo, Luanda, ficou patente que as alterações climáticas não têm merecido a devida atenção do Governo, dada a parcela “irrisória” atribuída no O.G.E.

Por:Zuleide de Carvalho, em Cabo Ledo

O impacto extremamente negativo e irrecuperável das alterações climáticas é um problema universal, com o qual poucos se preocupam, esforçam, ou pensam. Em Angola, o cenário está ainda mais adormecido do que a média Mundial. Luís Constantino, especialista em meteorologia agrária, admitiu que “a inacção é preocupante, porque, depois, vai custar muito caro. Nós estamos a fazer alguma coisa, estamos a honrar os compromissos internacionais”, alegou. Nomeando as acções, salientou: “contribuições na redução da emissão dos gases que causam efeito estufa, combate à desertificação, para que até 2030 o país possa diminuir a taxa de desflorestação, para 50%”, com repovoamento florestal. Quanto à emissão de CFC, há envolvimento de vários sectores, pois que, técnicos da AGT, os portos, entre outros, trabalham “para impedir que produtos que estão proibidos no Protocolo de Montreal entrem no país”, afirmou.

Financiamento estrangeiro “sustenta” o departamento Sendo chefe do Departamento para as Áreas de Mitigação e ponto focal da Conservação sobre a Desertificação, o engenheiro Luís Constantino defende a criação de estratégias para se obter financiamento nacional privado. Devido às alterações climáticas, “os níveis dos mares irão subir. Já imaginou, se os níveis subirem? Estamos neste empreendimento, um bom exemplo, daqui a uns anos isto deixa de existir, (seria) uma pena, tanto investimento…” No “nosso OGE, os valores são irrisórios,” e, lamentavelmente, é a única fonte de financiamento a nível nacional para se tratar das questões inerentes à luta para amenizar ou travar as alterações climáticas.

Porque, “se para outras questões como saúde, educação”, a fatia do bolo é ínfima, “imagine para as alterações ambientais…”, lastimou o engenheiro. Todavia, dos países desenvolvidos, Angola recebe um orçamento superior de várias organizações estrangeiras. Para haver equilíbrio, é imprescindível que na estratégia do Ministério do Ambiente, com parceria de órgãos afins, se canalizem energias para criar propostas atractivas, para o empresariado nacional passar a financiar o combate às alterações climatéricas.

Tal como se faz em países com outras realidades, com altas taxas de crescimento e desenvolvimento, como a vizinha Áfricado- Sul, para aliciar o patrocínio dos empresários em protecção do ambiente, o Executivo deverá oferecer-lhes benefícios fiscais. Garantindo-se o bem global, é uma forma eficiente para, em Angola, fazer-se face ao problema do século, a luta pelo ambiente, envolvendo todas as classes empresariais, bem como a sociedade civil e o Governo.

Jornalismo Ambiental exigese!!!

Sem tirar o peso que cabe a cada um de nós, na formação para jornalistas, liderada por especialistas de diversas áreas, ficou assente e foi reiterado o vital papel que a sociedade deve desempenhar, já! O desconhecimento paira no seio social, bem como mora em alguns profissionais da classe jornalística, por isso, o Ministério do Ambiente e o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), decidiram co-organizar este workshop. Segundo a mensagem do SJA, na sessão inaugural do colóquio, esta iniciativa, que promete repetir- se, tem por foco capacitar jornalistas em questões ambientais, envolvendo problemas ecológicos globais e locais, para divulgarem- nos mais e melhor.

Para Teixeira Cândido, secretário- geral do SJA, “o desenvolvimento do país passa pelo ambiente.” Logo, devemos “abordar com mais profundidade, a nossa abordagem tem sido marginal…” assim, “a sociedade também tende a abordar de forma marginal.” De agora em diante, espera- se da classe que passemos a “apresentarmo-nos como principais motivadores (promovendo debates).” Porque, enquanto a sociedade não compreender o valor de cuidar do ambiente, “estamos a condenar o nosso desenvolvimento”. Com muito para espelhar, os temas de ontem centraram-se em Queimadas e Incêndios Florestais, Alterações Climáticas, subdividido na apresentação da Proposta Nacional para as Alterações Climáticas (2018 – 2030), que aguarda por aprovação, e a seca.

Os países sérios têm plano de ordenamento do território

Segundo Carolino Mendes, director do Gabinete das Bacias Hidrográficas, “os países sérios têm Plano de Ordenamento do Território”. Logo, uma vez que Angola não tem organização territorial, infere-se que não seja um país sério. O engenheiro declarou ter formação em urbanismo e ordenamento do território, logo, em muitas das centralidades habitacionais, é evidente que não tiveram a devida planificação, a pensar de forma sustentável, desrespeitam parâmetros arquitectónicos e urbanísticos. Debruçando-se sobre a seca no Sul de Angola, disse deverse parcialmente ao facto de as 77 bacias hidrográficas nacionais não estarem “distribuídas de forma equitativa geograficamente”. Logo, a construção de uma barragem no Huambo ajudará. Todavia, a falta de estruturação territorial condiciona o acesso e distribuição da água, pois, as localidades fortemente afectadas pela seca não foram pré-concebidas, surgiram de acordo aos fluxos populacionais desordenados, um grande problema no país. JACINTO FIGUEIREDO

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