PRODESI predispõe-se apoiar investimentos para o sector têxtil no Kwanza-Norte

No âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI), o Ministério da Economia e Planeamento realizou, nesta Quinta-feira, na vila do Dondo, município de Kambambe, um workshop de auscultação e recolha de contributos para estudos das cadeias dos inseridos nos clusters (aglomerados) da indústria têxtil e calçados

Por:Miguel José, em Malanje

O director do Gabinete Provincial de Desenvolvimento Económico Integrado do Kwanza- Norte (GPDEIKN), Fernando Mesquita, falou que a auscultação e recolha de informação decorre da necessidade de melhorar e sustentar as ideias que conformam o PRODESI, no sentido de promover a produção das matérias- primas de suporte à produção fabril têxtil e calçado. Apesar de o município de Kambambe situar-se abaixo na escala das regiões produtoras de algodão, como a Baixa de Kasanje, Kwanza- Sul e Bengo, Fernando Mesquita aludiu a necessidade da retoma do seu cultivo, como era no passado, na perspectiva de garantir a reabertura da SATEC, fábrica têxtil local, para elevar a economia e gerar emprego para a juventude.

Apoio aos projectos

Perante as dúvidas levantadas por empreendedores e empresários sobre o funcionamento do PRODESI, o responsável esclareceu que o sucesso do projecto depende, unicamente, da proactividade e audácia dos mesmos, na busca dos seus objectivos. Porém, referiu que a plataforma institucional para o apoio a iniciativas de investimento estão criadas. Acrescentou que o PRODESI está presente para proceder advocacia e ajuda através das instituições, como no caso do INAPEM na certificação das empresas e a avaliação dos projectos, para serem encaminhados aos bancos para a concessão de créditos. “Criamos o Programa de Apoio ao Crédito (PAC), um instrumento financeiro de apoio ao PRODESI, cabendo aos empreendedores e empresários cumprirem com a sua parte do ponto de vista dos projectos e submete-los aos bancos”, garantiu.

Facilitação do processo

O responsável do GPDEIKN explicou que para a facilitação do processo de tramitação de documentos está previsto, brevemente, uma campanha nacional com vista à legalização das cooperativas e associações, com o sentido de dirimir os problemas que se colocam sobre a sua legalização. Outrossim, a falta de organização de algumas cooperativas fez com que não conseguissem proceder ao pagamento dos emolumentos para obter a documentação civil dos seus membros, além de muitos deles viverem em localidades de acesso difícil, sem serviços afins.

“Haviam princípios de base que elas próprias acarretavam, já que muitos membros de cooperativas e associações não tinham bilhetes de identidade”, observou. Por conta disso – continuou –, o PRODESI vai interagir com as instituições vocacionadas para tornar o processo menos burocratizado e fazer com que o público-alvo consiga obter toda a documentação requerida de modo célere. “Vamos em todos os municípios para legalizar as cooperativas para então concorrerem ao apoio financeiro, dentro dos parâmetros jurídico-legais, de forma prudente e transparente”, finalizou.

Revitalização da indústria têxtil

O consultor de nacionalidade brasileira Mauro Pereira, que dissertou sobre o “Estudo de desenvolvimento da cadeia de valor têxtil, vestuário e calçado em Angola, na Preparação do PRODESI”, mencionou que a sua revitalização é o assunto que deve ser tratado, cada um deles, de maneira independente. Porém, descreveu que a questão relacionada com o plantio do algodão remonta uma série de acções a serem tomadas, como, por exemplo: a definição da semente, o seu lugar de proveniência e, principalmente, o estabelecimento de um convénio com entidades que têm tecnologias para poder ajudar Angola no plantio e na modernização de diversas técnicas.

Contudo, insinuou que enquanto se procede à plantação do algodão, será necessária a importação de fibra de algodão e fibra de poliéster, matérias-primas para a produção de fios para colocar a indústria têxtil a funcionar. Em paralelo, as indústrias de confecção, elas têm, também, de receber matéria-prima para trabalharem, até que as tecelagens consigam entregar os tecidos. “Cada uma tem uma acção isolada para que elas se encontrem mais a frente para evitar a importação da matéria-prima”, indicou.

Financiamento vs plano de negócios

Mauro Pereira, a dado passo da sua dissertação, notificou que a indústria deve estar muito bem entendida com o banco, que ambos consigam compreender o tipo de documentos necessários para a troca de interesses e estabelecimento de modelos de negócios de maneira sistemática. Sobre a alegada falta de financiamento evocada pelos empreendedores e empresários, o consultor disse que o problema da reabilitação da indústria têxtil em Angola dependente de, tão-somente, um bom plano de negócios que demonstre ao banco, à financiar, a garantia de reembolso.

De igual modo considerou que a questão do financiamento decorre da desconfiança de muitos empréstimos concedidos a empresários que desviaram o sentido do investimento. “Pois, muitos ao invés de investir na fábrica compra um carro novo. Talvez tenha acontecido isso, e banco nenhum vai emprestar se não comprovar que o dinheiro está a ser disponibilizado se não tiver garantia de devolução”, concluiu o consultor. Todavia, Mauro Pereira supõe que através dos contactos que vem estabelecendo com os empresários nacionais, ter certeza que os angolanos têm uma força interior, uma chama interna de ultrapassar as adversidades, que jamais viu em outros povos. “Com todas as dificuldades os angolanos estão firmes trabalhando, sempre acreditando que tudo vai melhorar”, consolou.

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