Três a três

Por:José Kaliengue

Há algumas coincidências nesta Angola política independente. No Governo, vamos no terceiro Presidente e Chefe de Estado, sendo que o primeiro teve um consulado curto até à sua morte. O segundo teve um mandato longo, de décadas, e o terceiro já sabe que constitucionalmente não poderá passar dos dez anos, assim como não ficará mais tempo a liderar o seu partido depois de se ter batido contra a bicefalia, ou seja, contra a continuação de Eduardo dos Santos sendo ele, João Lourenço, Presidente da República. A liderar a Oposição, primeiro armada e agora civil, na UNITA, o primeiro líder presidiu o partido até às sua morte. O segundo também teve um mandato de mais de uma década, foram dezasseis anos. E o terceiro, o que for eleito no congresso deste Novembro, já sabe, também, que não ficará por mais de dez anos, a não ser que se alterem os estatutos e ele se torne num fazedor de presidentes da República numa bicefalia saudável, o que é pouco provável. O mais normal é as bases não lhe tolerarem mais do que dois fracassos. E se avançarem para as primárias, talvez um fracasso baste para ser encaminhado para a porta de saída, tal como no MPLA, em que os resultados das autárquicas, se forem de derrota “vergonhosa”, o seu líder poderá nem ser autorizado a concorrer nas gerais de 2022. Para já, até ao fim do ano, o Governo e os dois maiores partidos angolanos terminam com o seu terceiro timoneiro (depois da Independência), 2020 poderá mudar muita coisa em cada um dos campos, ou num dos três.

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