Cantora gambiana defende introdução no currículo escolar o estudo de instrumentos tradicionais

A cantora defendeu esta tese ontem, quando falava para à imprensa, horas antes do primeiro dos dois concertos que realiza na Casa das Artes, em Luanda

Por:Jorge Fernandes

A cantora gambiana Sona Jobarteh, que está no país para dois concertos, sendo que o último é realizado esta noite a partir das 19 horas, na Casa das Artes, em Talatona (Luanda), defende a introdução no ensino curricular de instrumentos musicais africanos, com vista a preservar a tradição. Para ela, não basta apenas que se divulgue a riqueza cultural, pois ela deve ser ensinada e transmitida de geração em geração nas escolas que, para além da família e das igrejas, é o local ideal para este aprendizado contínuo de resgate aos valores tradicionais africanos. “As tradições têm de mudar para poder sobreviver.

A tradição do Kora (espécie de harpa usada na África Ocidental e tocada sobretudo por homens sentados), só pode sobreviver, a exemplo de outros, se for transmitida e ensinada. Questionada sobre o facto de ser mulher e tornar-se numa exímia executora do Kora, instrumento maioritariamente tocado por homens, Sona Jobarteh, aferiu que não se pode excluir ninguém, independentemente do sexo e da condição social.

“É preciso que haja continuidade das tradições. Quer homens, quer mulheres, independentemente da sua estrutura social, devem todos reforçar a tradição para que ela não morra. Somos todos continuadores dos nossos hábitos e costumes africanos”, manifestou. Por outro lado, confessou não ter tido ainda contacto com a música angolana, e o facto de cantar e tocar para um público que não domina a língua em que manifesta o seu canto não é factor impeditivo para que faça chegar a sua música.

O concerto

Sem dar grandes detalhes sobre o seu concerto e repertório, Sona manifestou-se expectante e bastante motivada para realizar os concertos em que ela dá voz, executa guitarra e o kora. A banda que a acompanha é composta por Wesley Joseph (Bateria), Andi Mclean (Baixo), Mamadou Sarr (Percurssão), Derek Johnson (Guittarra) e Sidiki Jobarerth (Bafalon).

A cantora

Descendente de uma linhagem de nobres músicos da sua região, aprendeu a tocar Kora aos 4 anos de idade. Posteriormente, estudou música clássica no Reino Unido e aperfeiçoou o domínio do instrumento com o seu pai, Sanjally Jobareteh. A sua trajectória, bem como a sua maneira de tocar e misturar música tradicional, blues e afropop, representam uma revolução. Sona é descrita pela crítica como sendo um caso ímpar, com milhões de visualizações no Youtube. Tornou-se numa activista da sua cultura, engajada em prol do progresso social, e por isso foi recentemente nomeada Embaixadora Global pelo UNHabitat, programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos.

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