Há mesmo fogos, e é sério

Felizmente, aqui no jornal OPAÍS nunca alinhamos na ideia do país das maravilhas, nem na vigência deste Governo, nem na do anterior, e por isso mesmo fomos muitas vezes incompreendidos, também por não entrarmos no jogo do mata-mata, dizendo que está tudo mal. Aqui privilegia-se o jornalismo. Quem quiser entender o que isto signifi ca que entenda, quem não quiser, paciência. Nunca neste jornal se percebeu, ou se simpatizou com a ideia que se queria pôr como oficial de que em Angola não ocorrem fogos florestais. Quando esta “pérola” surgiu de um membro do Executivo opusemo-nos, claro, como era de esperar. Felizmente, por via de uma acção organizada por um departamento do Executivo, técnicos com reconhecida competência falam, em Cabo Ledo, do quão nefastas têm sido as queimadas descontroladas, para o solo, para a agricultura, para o equilíbrio ecológico, para a alteração climática. E um membro do Governo teve o descaramento, em Agosto, de dizer que falar de fogos em Angola era “nonsence”. E o Jornal Público, televisões, etc., deram voz ao disparate. Nós não. As luzes mediáticas são importantes, papaguear o que dizem governantes também pode ser importante para alguns, mas há que ter o sentido da realidade, da razão. O membro do Executivo que disse que falar de fogos em Angola era “nonsense” deveria estar agora no Cabo Ledo, de castigo, para ouvir de quem sabe o que é este país, para aprender a distinguir informação de propaganda barata e irresponsável, e os que o repetiram também, já que têm a obrigação de conhecer e saber sobre o mínimo que acontece em Angola. Há fogos descontrolados por cá, o assunto é sério, os danos incalculáveis, e a nossa incapacidade de lida com eles não significa que não acontecem.

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