Recenseamento Agropecuário e Pescas terá um custo de mais de USD 24 milhões

O Instituto Nacional de Estatística (INE) da início em Fevereiro de 2020 ao Recenseamento Agropecuário e Pescas (RAPP), uma operação de alta relevância para o país. Primeiro censo de recolha, processamento e disseminação de dados dessas três áreas no período pós-independência de Angola, o RAPP terá extensão nacional. O custo será de mais de USD 24 milhões, tendo sido aplicados já mais de 583 mil na fase piloto

Por:André Mussamo

Coordenado pelo INE, tendo como órgãos coadjuvantes os Ministérios da Agricultura e Florestas (Minagrif) e das Pescas e do Mar (Minpesmar) e, ainda, apoio técnico do Fundo das Nações Unidas para Agricultura (FAO), o RAPP fará o levantamento dos dados que permitirá a Angola conhecer a estrutura dos referidos sectores, nomeadamente a quantidade de unidades agropecuárias, sua distribuição espacial e tipos de propriedades, assim como informações sobre uso e aproveitamento da terra e posse e meios de produção nas províncias , municípios e comunas.

Nesta complexa operação entram a dimensão da superfície de pastagem, a distribuição geográfica do gado e das aves, assim como o volume de pescado produzido, dentre outros dados. Um total de 825 recenseadores entra em campo para um levantamento minucioso nas 18 províncias, onde contarão com apoio de estruturas locais. Os técnicos do INE contarão ainda com o reforço das autoridades tradicionais, que darão apoio na sensibilização das comunidades para que seja percebida a importância do RAPP e da qualidade da colecta a ser feita junto aos agregados familiares.

Antes de entrar em campo, o RAPP realizou uma experiência piloto em cinco províncias – Cuanza Sul, Benguela, Uíge, Cunene e Moxico –, executada por 70 recenseadores, divididos em 10 equipas. Nesta fase, foram aplicados quatro tipos diferentes de questionários, a saber o de listagem dos agregados familiares nas aldeias e secções censitárias; das explorações agropecuárias e piscatórias familiares; e das explorações modernas ou das médias e grandes empresas agropecuárias e aquícolas.

Demais etapas

O RAPP será realizado em quatro momentos, começando pela aplicação do questionário comunitário ou das aldeias para identificação das infra-estruturas e serviços básicos, caracterização de fenómenos meteorológicos anormais e dificuldades para produzir e escoar produtos do campo. Em seguida, será o momento da aplicação do questionário de listagem dos agregados familiares, para identificar e localizar os que se dedicam por conta própria à actividade agropecuária e piscatória. As duas outras etapas serão para a aplicação do questionário das explorações familiares para caracterizar as explorações, uso da terra e as práticas agrícolas e, por fim, a aplicação do questionário das explorações empresariais.

Em Fevereiro de 2020 será iniciado o módulo comunitário ou das aldeias e o módulo de listagem dos agregados familiares – duração de três meses; em Junho de 2020 o foco serão o módulo das explorações agropecuárias e piscatório e o módulo das explorações modernas ou das empresas. Segundo dados da equipa técnica do INE, para os questionários comunitário ou das aldeias e de listagem serão visitadas todas as aldeias do país e todos seus agregados familiares. Para o questionário da exploração familiar, o universo estimado é de mais de 2 milhões e setecentos mil agregados, em todo o país. Já entre os que praticam actividade agrícola por conta própria, será inquirida uma amostra da ordem de mais de 52 mil famílias.

De acordo com o Coordenador Técnico do RAPP, Domingos da Silva, “esta operação estatística permitirá definir a estrutura e factores de produção do sector da agricultura, pecuária e pescas em Angola e os seus resultados apoiarão a tomada de decisões pelo Executivo, investidores, académicos e outros utilizadores nacionais e internacionais”. O país passará a contar, após o RAPP, “com uma base fiável para realizar inquéritos agropecuários e piscatórios por amostragem com fins de produzir estatísticas correntes, além de conhecer a localização geográfica e poder caracterizar as explorações agropecuárias e piscatórias”, esclareceu.

Dificuldades

O trabalho até agora realizado permitiu também que fossem apontados algumas dificuldades a ser enfrentadas pelos recenseadores como, por exemplo, problemas de acesso em algumas vias, falta de electricidade em algumas comunidades e falta de acampamento em diversas aldeias. De acordo com INE, depois do Senso populacional esta é uma das maiores operações a ser realizada no país.

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