Artista angolano atrai multidões na Avenida Paulista com Máscara Mwana Pwó

Com a máscara da etnia Tchokwé até ao joelho, e uma cobertura de tecido, calças também ao mesmo nível, que parecia tratar-se de um anão, o “talentoso “ enquanto passeava pela alameda, foi despertando a curiosidade das pessoas que ali caminhavam. Durante essa manifestação cultural, houve várias exibições de artistas de rua

Eram exactamente 16 horas e 40 minutos na cidade de São Paulo, no Brasil, (19 horas e 40 minutos em Angola), no Domingo, 3, quando o coreógrafo angolano da Associação Globo Dikulo, Inocêncio de Oliveira, saiu à rua trajado com a indumentária da região do Cuando Cubango, denominada Cubalekessa, que significa “brincar”, com a intenção de se mostrar.

Em direcção à Avenida Paulista, um espaço com cerca de 2,7 Km de comprimento, onde aos Domingos é realizada uma manifestação cultural há cerca de quatro anos, Inocêncio, acompanhado dos membros daquela associação, pretendia assim brindar os citadinos com momentos inéditos, e também efectuar o intercâmbio cultural.

Com a máscara da etnia Tchokwé Mwana Pwó, até ao joelho, e uma cobertura de tecido, calças também ao mesmo nível, que parecia tratar-se de um anão, o talentoso, enquanto passeava pela alameda foi despertando a curiosidadesdas pessoas que ali caminhavam, dançavam ao som dos ritmos que os demais artistas tocavam, com realce para o Kuduro. Uns que se mostraram tímidos, apenas observavam à distância.

Mas houve aqueles mais curiosos (crianças, adolescentes e adultos), que não resistiram à atracção, chegaram mais perto para marcar o momento com um retrato fotográfico, e também saber da origem e significado da fantasia.

É o caso da cidadã brasileira Jucilene, que estava encantada e, ao mesmo tempo com um olhar distante, como se tentasse lembrar a proveniência destes artistas, que muito vibravam. Depois de muito pensar e não ter êxitos, aproximou- se, solicitou retratar o momento e, igualmente, saber da sua origem.

O citadino Octávio, impressionado, preferiu apreciar de longe, mas não resistiu ao retratar aquele momento inédito mesmo à distância. ”É a primeira vez que vejo essa máscara angolana. Estou feliz por cá vir e poder saber sobre este povo irmão. Boa estadia, disse entusiasmado”. Houve ainda um menino de aproximadamente sete anos, que também não resistiu, e foi mais longe.

Apalpou o traje do artista, na tentativa de descobrir do que se tratava. A indumentária Este traje no país, ao invés da máscara é usado um saco de serapilheira, para cobrir o corpo.

Inocêncio de Oliveira explicou que devido a alguns conhecimentos tidos em relação à estética e a própria arte, na altura que se fez a pesquisa das vestes, decidiu-se criar outros elementos, como a máscara feita de material reciclado, de modo a dar maior visibilidade, e melhor vender a cultura angolana nos vários eventos culturais internacionais em que são convidados a participar.

Antes mesmo da referida exibição, membros desta associação que se encontram nesta cidade para completar a 2ª parte do intercâmbio cultural com o Projecto Raízes, mostraram-se com máscaras tipicamente africanas (não industrializadas), na festa de Halloween (dia das bruxas), celebrada na Sexta-feira, 1, tendo também provocado a curiosidade dos cidadãos.

“Nesta apresentação foi um espanto para eles, tanto mais que todos pretenderam ter uma recordação nossa, fizeram várias fotografias por terem notado que o top da festa era muito diferente e original perante o que estavam a ver”, enfatizou. Outras manifestações Durante a “Manifestação cultural” na Avenida Paulista, houve ainda várias exibições de artistas de rua, que cantavam e dançavam, todos com a intenção de atrair os citadinos ali presentes, assim como os turistas.

Uns até mesmo aproveitam o momento para comercializar obras literárias, bebidas e comida, enquanto havia outros que aproveitaram o espaço para manter a forma, com a prática de exercícios físicos. Para que tal acção seja implementada, é necessário que se interdite a via, de modos a não atrapalhar essa grande manifestação cultural, que agrega talentosos oriundos de vários países, com a circulação dos carros. Nesta avenida, entre as duas faixas de rodagem, funciona uma ciclovia, inaugurada em 2015, óptima para lazer.

Consta que a mesma nasceu na base de uma polémica, acerca da sua construção. A professora de arte brasileira, Michele Lomba, disse que a avenida é um dos centros económicos do país, com diversos centros culturais, públicos e privados. “Houve também tentativas para que essa acção deixasse de acontecer, mas pela resistência da população puderam defender que a cidade é das pessoas e não dos carros”, contou.

Michele deu ainda a conhecer que, o facto de a avenida ficar fechada para a realização da presente acção cultural, contribuiu também para que os centros culturais se tornassem mais dinâmicos, com a realização constantes de actividades aos finaisde- semana, inclusive nas ruas. Defronte aos seus espaços, uns montam palcos e contratam grupos de dança de rua, teatro ou músicos para a intervenção artística.

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