Estudante de 19 anos encontrada morta no Lubango

chamava-se Victória, saiu de casa para a escola e não mais voltou. Quem a matou deixou-a com o corpo despido. Moradores das Cercanias ouviram gritos perto das 23 horas, mas faltou-lhes coragem para sair de casa e socorrer a vítima

Uma jovem de 19 anos de idade, estudante do período nocturno, foi encontrada morta na manhã de ontem (Terça-feira) na zona quatro do bairro Zona Industrial (valódia), arredores da cidade do Lubango, capital da Província da Huíla.

O corpo da vítima, identificada apenas por Victória, foi encontrado junto ao quintal, com sinal de golpes na região craniana com um instrumento ainda por se identificar.

De acordo com os vizinhos que falaram para a reportagem da Rádio Mais e do Jornal OPAÍS, ouviram-se gritos quando eram sensivelmente 23 horas de Segunda-feira (4). Isabel Precisa Ferreira conta que ouviu os gritos naquela madrugada, mas pela hora não poderia prestar qualquer auxílio no sentido de evitar o pior.

A nossa interlocutora relatou ainda que na manhã de ontem, os pertences da jovem foram encontrados no interior do seu quintal. “Nós ouvimos os gritos quando eram 23 horas e ficámos com medo.

Os cães começaram a ladrar, quando acordámos, hoje de manhã (Terça-feira), encontrámos o telefone no nosso quintal”, disse. Segundo Odília Cecília, outra moradora, o corpo da vítima foi encontrado junto ao seu quintal, completamente nu, com sinais de agressão, o que a leva a presumir que a mesma deverá ter sido atacada por mais de uma pessoa e abusada sexualmente.

No entanto, acrescentou que este é o primeiro caso de homicídio que se regista no seu bairro. “Eu vivo neste bairro desde o ano de 1966, nunca tínhamos presenciado um facto destes.

O que tem acontecido, realmente, são assaltos, que, felizmente, têm vindo a reduzir graças à presença massiva de seguranças privados”, detalhou.

Victória saiu de casa às 17 horas Depois de os moradores da zona em que foi encontrado o corpo da jovem e a terem reconhecido, procuraram contactar a família, para comunicar o infortúnio.

O contacto foi feito com uma senhora próxima da vítima, que consequentemente, informou a mãe que vive numa zona limite entre o bairro da zona Industrial e o bairro do Tchioco. Amélia Nalamenle, mãe da vítima, informou que a sua filha saiu de casa quando eram 17horas da última Segunda-feira, em direcção à Escola da Imaculada Conceição, onde frequentava a 9ª Classe, e não mais voltou.

“É a minha única filha, ela saiu de casa para ir à escola, mas quando dei pela sua ausência, às 21 horas, perguntei a uma prima dela, que disse-me que passou em casa da outra prima (a Lídia).

O dia passou e chega-nos esta triste notícia, de que a Vitô foi assassinada”, lamentou. A nossa reportagem procurou contactar, no local, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), que procedia à remoção do corpo, para os devidos esclarecimentos, porém, sem o resultado esperado. Mas ficamos a saber que todas as acções das forças policiais estão voltadas para o trabalho de identificação, localização e detenção dos presumíveis autores do crime, no sentido de serem responsabilizados criminalmente.

Mais tarde, o director de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior da Província da Huíla, Manuel Halawia, referiu que o crime aconteceu quando a estudante da 9ª classe, do período da noite, regressava da escola Imaculada Conceição.

Precisou que o acto ocorreu por volta das 23 horas, no bairro de Comandante Valódia, zona onde a vítima morava. “Diante deste facto, todas as nossas acções estão voltadas para o trabalho de identificação, localização e detenção dos presumíveis autores do crime, no sentido de serem responsabilizados criminalmente”, declarou.

Por sua vez, o irmão da vítima Michael André, de 21 anos, falando à Angop, disse que a família tomou conhecimento da situação através de uma das colegas da irmã, que viu o corpo estendido na rua pela manhã.

“Precisamos que se apanhe as pessoas que fizeram isso com a minha irmã e os façam pagar pelo crime. Que a deixassem viva, ela não merecia morrer desta forma trágica”, lamentou.

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