País enfrenta um desafio sem precedentes na criação de empregos

Os resultados do modelo mostram que, independentemente do cenário, o país enfrentará um desafi o tremendo na criação de empregos em 2054, mas o rácio de dependência será bem abaixo no cenário combinado

O Estudo, elaborado pelo Ministério da Economia e Planeamento em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) define Dividendo Demográfico como o benefício económico que resulta do aumento do rácio entre adultos em idade activa e dependentes jovens, criado pelo declínio rápido das taxas de natalidade, acompanhado por investimentos na Educação, Saúde e criação de emprego.

Segundo o relatório lançado recentemente em Luanda, em 2014 a lacuna de empregos, definida como a diferença entre os empregos disponíveis e a população com mais de 15 anos, foi de 8,6 milhões. Até 2054, essa lacuna aumentará para 42,8 milhões no cenário Business-as-Usual, comparado com 34,1 milhões no cenário Combinado.

Esses números evidenciam que Angola enfrenta um desafio sem precedentes na criação de empregos suficientes para a sua força laboral, que cresce rapidamente. O país precisa de criar empregos dignos suficientes em vários sectores da economia, incluindo petróleo e gás, agricultura e construção para enfrentar o desafio do desemprego.

“O Governo reconhece que a melhoria do bem-estar da população e a minimização da dependência excessiva do petróleo, que é um motor fundamental da economia, são fundamentais para alcançar o objectivo angolano da Visão 2025 de “libertar o país da pobreza através da promoção do crescimento económico, da estabilidade macroeconómica e do emprego”, diz no documento.

O técnico superior do Gabinete Maria Teixeira de Políticas de População do Ministério da Economia e Planeamento que apresentou o Estudo, Pedro Palata, explicou que o dividendo demográfico pode ajudar a liberar o poder da juventude angolana para a transformação socio-económica se ela for empoderada para impulsionar a produtividade económica.

População dependente maior do que a população em idade laboral Pedro Palata, explicou ainda que 98 por cento de taxa de dependência por cada 100 angolanos dentro da faixa etária teoricamente activa dos 15 aos 64 anos, estima-se que haja 97,7 dependentes que são crianças com menos de 15 anos ou idosos com 65 anos ou mais Quase metade (47,2%) da população tem menos de 15 anos, e estima-se que 100 angolanos em idade activa de 15 a 64 anos sustentam 100 dependentes, compostos de crianças abaixo de 15 anos e idosos com 65 anos ou mais.

O documento espelha que o DD não é automático ou garantido. Angola precisa de investir de modo signifi cativo em intervenções que acelerem a diminuição da f cundidade para abrir a janela de oportunidades, enquanto prioriza investimentos no desenvolvimento de capital humano e em reformas económicas para a criação de empregos em massa. “Se não agir agora, haverá uma massa de jovens sem formação académica, sem capacitação, sem empregos e desiludidos, o que pode fomentar a instabilidade social e a criminalidade”, diz o estudo.

Para aproveitar o Potencial da Juventude, Angola deve traçar alguns objectivos E, “Aproveitar o Potencial da Ju
ventude para Colher o Dividendo Demográfico em Angola” e alcançar as metas, traçaram-se algumas políticas que ajudarão o país a conquistar e maximizar o seu DD que é facilitar e impor o ensino gratuito obrigatório até a 9ª classe. Expandir a capacidade de absorver a crescente população em idade escolar ao capacitar, empregar e manter equipas profissionais qualificadas e ao melhorar a capacidade das infra-estruturas.

Igualmente promover e implementar caminhos alternativos de educação para jovens que estão dentro e fora da escola, ao melhorar o acesso e a qualidade de instituições de ensino terciário. Reformar os currículos escolares para adequar às necessidades do presente e do futuro, e garantir um mecanismo eficaz e contínuo para revisão de currículo escolar para que se possam fazer alterações de curto e longo prazo.

Garantir uma linha orçamental exclusiva para o Planeamento Familiar (PF) no Orçamento Geral do Estado e apoiar esforços para reformular o programa de PF a fim de aumentar a aquisição e a distribuição de insumos para o PF em todas as unidades de Saúde, entre outros.

Os resultados demonstram que Angola pode obter um enorme dividendo com base no cenário Combinado, uma vez aplicada a dimensão da população ao PIB projectado. O técnico fez referência a que, se o Governo for além de um enfoque estratégico em investimentos no sector económico e adoptar uma aplicação integrada que centre simultaneamente os investimentos no sector económico, na educação e no planeamento familiar, o país pode conquistar mais 6 mil e 121 USD no PIB per capita em 2054 do que conseguiria através de uma estratégia somente de ênfase económica. Este é o potencial dividendo demográfico que Angola pode conquistar.

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