Província de Malanje tem identificados 60 pontos turísticos no PRODESI

O Programa de Apoio à Produção, Diversifi cação das Exportações e Substituição de importações (PRoDESi) reuniu nesta Segunda-feira, na cidade de Malanje, empresários e académicos com o sentido de auscultar e recolher contribuições para estudos das cadeias de valores inseridos nos clusters (aglomerados) do ramo do turismo e lazer.

Na província de Malanje estão identifi cados 60 pontos turísticos, em alguns dos quais o Governo local tem já construídas infra-estruturas de apoio, com realce para os projectos ligados à energia eléctrica, água potável e estradas, de acordo com o vice-governador de Malanje para a Esfera Política, Económica e Social, Domingos Eduardo, no momento que teceu considerações na abertura do workshop organizado pelo Ministério da Economia e Planeamento.

De tal sorte, o vice-governador Domingos Eduardo considerou que o Estudo de Desenvolvimento da Cadeia de Valor dos inseridos nos clusters do Sector do Turismo e Lazer se constitui num desafi o que visa relançar a exportação dos produtos nacionais, no âmbito da diversifi cação económica, como forma de reduzir o peso do petróleo na economia de Angola.

Com isso, no entender do vice-governador, renasce a espe
rança de gerar desenvolvimento e, ao mesmo tempo, garantir mais espaços de emprego aos jovens. Por isso, não obstante as limitações económicas, invocou os operadores do sector privado a assumirem o seu real papel e apostarem com determinação no segmento produtivo do turismo e lazer, na sua múltipla esfera de negócios.

turismo vs activo real Reconhecendo as difi culdades fi nanceiras e estruturais de que carece a implementação efectiva do Pólo Turístico de Kalandula, o mandatário do Governo Provincial de Malanje (GPM) aproveitou o ensejo para apelar por maior empenho no cumprimento do seu Plano Director de Desenvolvimento gizado há uns anos, até hoje não concluído.

Porém, referiu que as quedas de Kalandula, por se tratar da segunda maior cascata do continente africano, depois da Victoria Falls, na Zâmbia e Zimbabwe, é preciso avançar com algumas infra-estruturas que já estavam planeadas para tornar o pólo num grande activo turístico, particularmente, para a província, para o país e, quiçá, para a África.

“É urgente que seja concluído para que se possa fazer o zoneamento do território , daí, poder ser um indicador aos potenciais investidores”, sustentou.

O alto responsável do Sector Político, Económico e Social sugeriu a transformação dos espaços turísticos da província de Malanje, em activo real, tanto em benefício dos locais onde estão assentados, quanto para o país.

Por isso, instou os operadores do ramo a procederem a investimentos nos vários pontos turísticos da província, como: pedras negras de Pungoà-Ndongo, no Parque Nacional de Kangandala (habitat natural da palanca negra gigante), nas cascatas do Museleji, nas quedas dos bens-casados, nos rápidos do Cuanza e outros espalhados no vasto território de Malanje.

Razões e desconfianças

Dentre as várias razões colocadas pelos empresários, ressaltou à vista o pendente da dívida que o Governo tem a pagar, o acesso ao crédito e, também, o acesso à superfície de exploração.

De igual modo, o acesso viário para onde estão situados grande parte dos locais turísticos e, também, o estado degradado das infra-estruturas sociais, que, de certo modo, delimitam a vinda de turistas nacionais e estrangeiros.

Contudo, mesmo com a desconfiança de o PRODESI se transformar em mais um fracasso, com base noutros que ficaram pelo meio, ainda assim, no plano das contribuições, os participantes expuseram como premissa de incentivo ao investimento a necessidade de o Estado criar condições infra-estruturais básicas, de forma proporcionar um ambiente de negócios saudável que possa inspirar confiança aos empreendedores ou empresários.

Ainda no mesmo sentido foi observada a necessidade de o Ministério do Interior melhorar os mecanismos de segurança da ordem pública, na perspectiva de garantir tranquilidade aos cidadãos nacionais e estrangeiros no inte
rior do país e evitar desconfortos que se assiste na relação com os turistas nos vários postos de interpelação policial ao longo das estradas nacionais.

Visão do PRODESI

O estudo das cadeias de valores dos inseridos nos clusters, visa, essencialmente, apresentar os resultados do trabalho que está a ser feito pelo Governo de Angola e, através do processo que está a levar a cabo, de auscultar os empresários, procurar perceber qual a sua visão sobre as oportunidades de negócio e de investimento, justificou o director do Gabinete de Estudos e Planeamento e Estatística (GEPE) do Ministério da Hotelaria e Turismo, Mariano Jacob dos Santos.

No entanto, realçou que o turismo, dentro do preceito de diversificação económica, tem uma relevância signifi cativa do ponto de vista da mobilização de investimentos, captação de divisas e aumento de geração de empregos, a nível do Estado.

Desconfiança

Em razão da desconfiança apresentada ante a efectividade e eficiência do PRODESI, Mariano dos Santos fez saber que a concessão de créditos para estimular a actividade turística está a ser negociada com a banca nacional, ao mesmo tempo que estão a capacitar os potenciais investidores para melhor identificarem as oportunidades, bem como facilitar a estruturação de planos de negócios. Garantiu que PRODESI, no âmbito da complementaridade do seu labor, vai trabalhar na remoção dos constrangimentos no acesso ao crédito e na questão de desburocratização relativa à facilitação da abertura de empresas e acesso à terra.

Sobre a reclamação da dívida exposta pelos empresários, o alto funcionário ministerial afirmou que ela tem de ser apurada e certificada, conforme o pronunciamento do Ministério das Finanças e alguns processos postos à disposição do MININF não garantiam que os serviços foram prestado dentro dos preceitos que a lei-quadro estabelece. “Logicamente que há uma desconfiança, porque o empresário presta um serviço.

Não é um problema que o empresário deve enfrentar. Cabe às entidades do Estado verificar a conformidade dos processos e fazer cumprir aquilo que são as normas”, rematou.

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