Tiques colectivos

Dizer que… Bem, recomeçando. Constrangimentos. Sim, esta também já foi uma palavra muito usada em Angola, agora parece estar a cair em desuso. Era constrangimento para cá, constrangimento para lá. Um pouco como as expressões compliance e player, estas normalmente usadas para evidenciar uma certa sobrevalorização que o emitente julga ter sobre a sua audiência.

Quando circulavam por cá revistas cor-de-rosa e nos metiam em casa programas de televisão em que era obrigatório dizer-se glamour, os “intervenientes”, que faziam questão de dizer-se famosos ou fIguras públicas, nas pequenas entrevistas, se instados a comentar um evento ou o desempenho de algum artista, por exemplo, tinham já engatilhada uma resposta que ficava sempre bem: “sem palavras, nota mil”.

Normal, porque a esmagadora maioria deles não tinha mesmo vocabulário para dois minutos de conversa. Ontem “calhei” num programa de rádio em que uma certa administradora distrital respondia às inquietações dos seus munícipes, sobretudo relacionadas com problemas bastante novos por cá, como o do abastecimento de água potável às residências, fornecimento de electricidade, segurança pública, etc..

Novidades, como sabemos, nós que nunca vivemos tais “constrangimentos” em quarenta anos de Independência. Tanto que a administradora, livre, independente e estas coisas todas, deixou-se levar entre zonas “limítrofas” que “devede”, mas sempre guarnecidas por um dizer que…, dizer que… e dizer que…. A cada seis palavras seguia-se um dizer que. Mas não é a única, este tique colectivo está a lavrar como fogo e está quase a superar o “que na qual”.

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