“Vozes na sanzala” de Uanhenga Xitu entre as obras internacionais expostas em São Paulo

A referida obra angolana, relacionada com a literatura de resistência empreendida pelo autor na época colonial, encontra-se exposta junto de outros trabalhos que abordam, igualmente, a questão do racismo, luta de oposição e a colonização

A obra literária clássica “Vozes na sanzala” de 1984, do falecido escritor angolano Agostinho Mendes de Carvalho, de pseudónimo literário Uanhenga Xitu, consta dentre os livros exibidos numa exposição no Estado de São Paulo (Brasil), inaugurada no Sindicato dos Bancários, na Segunda-feira, 4, que visa saudar o Mês da Consciência Negra, que se assinala a 20 do mês corrente.

O livro do consagrado autor, que morreu em 2014, mereceu destaque nesta exposição por se ter observado que, a partir de uma leitura, apresenta considerações a respeito da personagem (Kahito) e as suas implicações com a representação do ambiente sócio-político e cultural angolano ainda no período colonial, nos séculos XV e XVI, que se enquadram no tema em questão.

O objectivo da exposição, que traz ainda trabalhos de autores internacionais, abordam igualmente questões do racismo, luta de resistência à colonização, no que diz respeito à literatura de resistência a fim de motivar os afro-descendentes a persistirem na luta contra a opressão de que muitos, actualmente, ainda sofrem.

A presidente do Sindicato dos Bancários, Ivone Silva, apelou à população para que se mantenham persistentes na luta contra esses males, de modo a alcançarem o seu objectivo, que é a igualdade social.

“A população negra é a que tem maior dificuldade de conseguir trabalho nos vários continentes onde estão, como na América latina e na Europa. Precisamos acabar com essa discriminação, porque somos todos cidadãos e merecemos as mesmas oportunidades”, observou.

Por sua vez, o professor Sérgio Pereira apresenta nesta exposição diversas obras importantes para a actual conjuntura, como a tese de mestrado do professor brasileiro Paulo Oliveira, que aborda a existência do cristianismo no continente africano, cidadão que traz também livros de outros escritores africanos e contou que ainda é difícil ser negro neste país, por ter notado a constante discriminação da raça, como a exclusão social.

Expositores Além dos livros, estão também expostos vários produtos de origem africana como roupas de te
cidos africanos e comida. Uma cidadã senegalesa, que vive no Brasil há quatro anos, aproveitou o evento para comercializar roupas africanas para homem, mulher e criança.

A comerciante deu a conhecer que o produto é muito solicitado pelos citadinos locais, que antes mesmo de adquirirem, pedem informações sobre os mesmos.

A gastronomia nesta actividade esteve a cargo da empresa Dendéngo, que ostentou comidas brasileiras, influenciadas por ingredientes africanos, como dendém e quiabo.

A associação angolana Globo Dikulo, não ficou de fora nesta acção, tendo brindado os brasileiros com passos de mestrias da dança Kizomba, ao som de umas das sonoridades do músico Eddy Tussa.

Homenagem
Nesta amostra, que decorrerá durante o mês em curso, está a ser venerado o percurso da actriz brasileira Ruth Sousa, falecida em Julho deste ano aos 98 anos, tida como a primeira-dama negra do teatro, do cinema e da televisão.

A intérprete foi a primeira a ser indicada ao prémio de Melhor Actriz, num Festival internacional de Cinema em veneza, em 1954, pelo seu trabalho na novela “Sinhá moça”.

Em 1968 integrou o elenco da Tv globo, tornando-se a primeira actriz negra a protagonizar a novela “Passo dos ventos”, e depois “A cabana do pai Tomás”, ambas em 1969. Pelo seu trabalho desempenhado com profissionalismo foi detentora de vários prémios, tanto nacionais como internacionais.

Por esse e outros motivos, o presidente do Sindicato dos Bancários considerou a trajectória da talentosa actriz como um exemplo a seguir, por ter observado que, apesar das enormes dificuldades por que passou, desde a discriminação, nunca desistiu de lutar por aquilo que eram os seus ideais.

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