Aberto inquérito sobre desvio de milhões do Fundo Coca-cola

Um inquérito para apurar o desvio de 332 milhões de Kwanzas concedidos pelo Fundo Coca-cola para realização de projectos sociais na comuna de Caculo Cahango, decorre no município de Icolo e Bengo, em Luanda

Notas da de kwanzas, a unidade monetária de Angola, em Luanda, Angola, 09 de fevereiro de 2015. PAULO JULIÃO/LUSA

Fontes da administração municipal de Icolo e Bengo e do Serviço de Investigação Criminal (SIC) confirmaram ontem, Quarta-feira, a existência de um processo crime relacionado com o desaparecimento desse montante e que o mesmo já foi encaminhado à Procuradoria Geral da República. Em declarações à Angop, à margem de uma visita de constatação dos projectos financiados pela Coca- cola, a presidente do Conselho Fiscal do Fundo, Maria Amélia Rita, disse não confirmar nem desmentir o desaparecimento do dinheiro disponibilizado para a comuna de Caculo Cahango Maria Amélia Rita disse não dominar a ocorrência.

“Estamos a munir-nos de toda informação possível, mas não lhe posso confirmar nem desmentir por não ter dados concretos”, afirmou. Segundo a presidente do CF, os projectos sociais financiados pelo Fundo Coca-cola, desde 2014, em Icolo e Bengo, iniciaram bem, mas depois tiveram um período de incumprimentos por falta de pagamento aos empreiteiros, levando à interrupção das obras.

Terça-feira, 5, o Conselho Fiscal do Fundo Coca-cola constatou o grau de execução dos projectos sociais, concebidos para melhorar a condição de vida da população, com destaque para cabines eléctricas, postos de transformação de energia e as 82 casas sociais erguidas na comuna de Bom Jesus, abandonadas e vandalizadas há mais de sete anos.

A presidente do Conselho Fiscal recomendou que o Fundo Coca- Cola faça a entrega formal das 82 casas à administração local e que esta as distribua aos populares interessados. Os membros da Conselho Fiscal visitaram, igualmente, um terreno com vários hectares, em Bom Jesus, onde devia ser instalado um pólo industrial para a região de Icolo e Bengo, com arruamentos asfaltados, cabines para ligação de energia, água canalizada, entre outros empreendimentos.

A Angop constatou que o terreno, em estado de abandono, foi financiado pelo Fundo Coca-Cola, em 2010, ainda sob responsabilidade da província do Bengo, quando o município de Icolo e Bengo fazia parte daquela circunscrição. Maria Amélia Rita recomendou que a administração local faça a gestão do local, concedendo lugares às empresas que queiram explorar o espaço, pagando os respectivos emolumentos e construindo projectos sociais para o bem da população local. “Esta população precisa de ver melhoradas as suas condições sócio- económicas, e quando recebemos os recursos devemos ter a seriedade de usá-los de forma honesta e transparente em projectos que beneficiem a população”, desabafou.

O actual conselho fiscal do Fundo Coca-cola tomou posse a 30 de Julho de 2019. O Fundo Coca-Cola é resultante do pagamento de impostos de produção dos produtos da fábrica com o mesmo nome ao Executivo angolano.

A instituição tem como objecto o financiamento de projectos empresariais localizados, preferencialmente, na região do Projecto Coca-Cola (Bom Jesus) nos municípios de Icolo e Bengo, Quiçama, e no Pólo Industrial de Viana. Constituído em 2000, o Fundo do Projecto Coca-Cola já financiou, entre outras, iniciativas de rotulagem e comercialização de produtos hortícolas, refeições condicionadas e lanches escolares, unidade de produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas e fábrica de sumos naturais.

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