Ministério do Ambiente inventaria gases com efeito estufa

O director do gabinete de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente, Giza Martins, revelou, ontem, em Luanda, que a sua instituição vai realizar um inventário de gases com efeito estufa, no qual constarão medidas de mitigação a nível nacional

O inventário será realizado de dois em dois anos, com o apoio da Comissão Interministerial para a Biodiversidade e Alterações Climáticas, em cumprimento das responsabilidades que o país assumiu ao ratificar a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre desenvolvias Alterações Climáticas (CQNUAC). Esclareceu que no âmbito das políticas climáticas, o Governo almeja capacitar cidadãos com o objectivo de melhorar e aprofundar o entendimento sobre a forma como as alterações climáticas têm afectado a vida económica e social do país.

O dirigente, que falava à margem do seminário de lançamento do processo de elaboração do Relatório de Actualização Bienal (BUR), explicou que, apesar de, em alguns casos, existirem informações que possibilitam encurtar o agravamento do ciclo de cheias e secas no Sul do país, ainda assim há outros efeitos de que necessitam de perceber e aprofundar o conhecimento, de modo a elaborar políticas. Giza Martins considerou que as alterações climáticas são o maior desafio que afecta a humanidade.

Actualmente, a sua instituição está a produzir o processo de elaboração dos relatórios da actualização bienal que será uma obrigação adicional. Esse projecto visa possibilitar a integração de considerações sobre as alterações climáticas nas políticas de desenvolvimento nacional e sectorial, dando continuidade ao processo de fortalecimento da capacidade institucional e técnica, parcialmente iniciado e sustentado pelas comunicações nacionais bem como outros processos em implementação relacionados com as alterações climáticas. Concentração de gases com efeito estufa na atmosfera Angola está entre os países africanos que contribuíram muito pouco para actual concentração de gases com efeito estufa na atmosfera.

Embora não esteja entre os países que experimentaram ou beneficiaram da revolução industrial, o gás começou a acelerar, de acordo com o especialista do Ministério do Ambiente. Disse que apesar deste facto, tais países têm menos capacidade para lidarem com os efeitos das alterações climáticas, pelo quetêm o desafio adicional no processo de desenvolvimento e de se adaptarem com a tecnologia de baixo carbónio.

Os gases de efeito de estufa são substâncias gasosas que absorvem parte da radiação infravermelha emitida principalmente pela superfície terrestre, e dificultam o seu escape para o espaço. Isso impede que ocorra uma perda demasiada de calor para o espaço, mantendo a terra aquecida.

Giza Martins explicou ainda que, por esta razão, os países em via de desenvolvimento, não obstante não terem contribuído para as causas da alteração climática, têm a necessidade de lidar com as suas consequências. Para tal, têm de reformular os seus modelos de desenvolvimento para não contribuírem para a continuação do aumento da concentração de gases com efeito estufa.

Sobre a situação que se vive actualmente no Sul do país, onde se regista um agravamento e encurtamento do ciclo de cheias e secas, no seu ponto de vista, para além da necessidade de se prestar solidariedade aos cidadãos afectados e acudir a emergência de natureza humanitária, o enfoque deve estar na capacidade de introdução da componente clima na planificação e na execução do projecto do desenvolvimento daquela região.

“O agravar e encurtamento destes ciclos de secas e cheias é uma situação que veio para ficar, pelo que não é uma questão de 2018 ou 2019. A situação irá continuar. Razão pela qual existe um conjunto de acções que irão fortalecer a capacidade de resiliência das populações do Sul do país e precisam de ser implementadas”, frisou Giza Martins.

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