Académica refuta haver colisão de projectos no MED

Os esclarecimentos da formadora de formadores vêm dissipar as dúvidas de muitas vozes que defendem a possibilidade de os projectos CAPRI, PAT e TEACH estarem a fazer a mesma coisa e a gastar dinheiro

A responsável pela formação contínua dos professores primários pelo Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (INFQE), Ivone Augusto, garantiu não haver colisão, muito menos defesa dos mesmos interesses por parte dos múltiplos projectos que, de há algum tempo a esta parte, o Ministério da Educação (MED) tem vindo a implementar. Mencionando, de forma mais concreta, os projectos Capacitação para Professores Primários (CAPRI), Aprendizagem para Todos (PAT) e TEACH, a especialista do INFQE esclareceu que cada um tem os seus objectivos bem definidos. “Ainda que o CAPRI e o PAT contemplem a formação aos professores primários, o modo de actuação e a parte desse público-alvo difere.

Já o TEACH vem reforçar a supervisão, todos concorrem para a melhoria da qualidade do ensino em Angola”, aclarou a responsável, pedindo aos críticos que olhem ou esperem pelos resultados para melhor julgarem se terá ou não valido a pena. Ivone Augusto acha que as dúvidas que os programas do MED levantam devem-se à falta de informação precisa por parte dos críticos, por isso, propõe que haja secções para o controlo dos projectos existentes nos gabinetes provinciais, de modo a que os dirigentes daí tenham capacidade de saber quantos projectos predominam na sua área de jurisdição e o dêem a conhecer ao público.

Sobre a adopção, defende que venham todos os projectos, CAPRI, PAT, TEACH ou outro qualquer, desde que não toquem nos mesmos grupos-alvos, porque, se assim procederem, quando chegar a fase de avaliação, o que se verá é que vai ser mesmo colisão. “Já houve encontro de elementos de projectos diferentes, isso não é mau. Mau é quando as coisas correm mal e se apontam acusações a quem não tem culpa”, declarou.

De acordo com a dirigente do INFOQUE, é necessário definirem-se os alvos específicos, em função da identificação também específica de certos problemas, para que a avaliação de impacto não seja muito trabalhosa, até porque, segundo adiantou, para o caso dos actuais projectos da Educação, vai haver sempre professores fora desses ciclos de formação, que, na verdade, constituem elemento de registo de resultados. Também é necessário saber que nós estamos a mexer no sistema e, quando assim procedemos, o aconselhável é não ser em todos os elementos do sistema, para que não caia na sua totalidade, soube O PAÍS da sua interlocutora.

Reforma Educativa à lupa Ivone Augusto recordou o que aconteceu com a monodocência, um subsistema contemplado a Reforma Educativa (R.E), tendo admitido que o referido sistema pecou por não ter cumprido a componente da formação dos professores.

Confessando que fez parte da equipa que levou a cabo a R.E no país, assegurou que sempre defendeu uma fase de implementação experimental em apenas três províncias, de onde, segundo ela, se devia fazer uma avaliação de impacto, que daria indicativos que determinariam se se podia generalizar ou não o sistema em causa.“Ainda assim, a RE contemplava um ou dois anos de avaliação da implementação, um processo que não foi cumprido conforme concebido, porque não se tiveram em conta os clamores dos professores relativamente à monodocência, que consistia na transformação da 5ª e 6ª classes para turmas de um professor apenas, em detrimento dos mais de oito, do então II nível do sistema anteriormente vigente, detalhou a formadora.
A transição automática atribuída à 1ª, 3ª e 5ª, classes, para o ensino primário de seis classes, foi outro pormenor cujos gritos contra dos docentes não foram atendidos, de acordo com a entrevistada deste jornal, para quem a exigência dos instrutores se responsabilizarem por um grupo de alunos da 1ª à 6ª classe constituiu outro problema que não teve em conta as vicissitudes dos nossos agentes da educação. Mesmo assim, a especialista dá a mão à palmatória, ao ponto de admitir que essas falhas foram cometidas pela equipa toda que esteve envolvida na implementação da Reforma Educativa.

Questionada sobre o tratamento que se deve dar à monodocência, a seu jeito, Ivone Augusto, voltou a recomendar para, pelo menos, se ouvirem os professores primários e outros agentes da educação que vivem e convivem directamente com o sistema que eles próprios já consideram como um problema.

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