Energias renováveis: o caminho para saída da crise dos combustíveis (que se avizinha)

O engenheiro mecânico franz-José Coxe, formado na Suíça, especialista em Energias Renováveis, detém um estudo que revela quanto o Governo gasta anualmente com a subvenção de combustíveis e fornecimento de energia térmica, e apresenta a solução para redução desse montante avultadíssimo, USD 5.839.139.208,00, em 95%, com a implementação de energias renováveis em Angola, principalmente a energia solar

As energias renováveis são abundantes nos países desenvolvidos. Na Suíça, por exemplo, há painéis solares nas casas, empresas e, tanto transportes públicos como privados, são eléctricos, abastecidos com energia alternativa ao combustível. Porque a subvenção que o Governo angolano faz aos combustíveis, apesar da diminuição, ainda é das mais altas, comparativamente à média mundial, impõem-se mudanças imediatas, radicais, amigas do ambiente, mas também, do “bolso” da população.

Em países europeus e americanos, um litro de combustível é vendido a 1,5USD, quando, em Angola nem 0,50USD custa. Logo, quem paga a diferença é o Governo. Assim, as despesas anuais estimam-se em 5.839.139.208,00USD Por isso, o engenheiro mecânico Franz-José Coxe, está, desde 2010, de regresso a Angola, a “lutar” para que as suas ideias sejam ouvidas e para que Angola restruture a sua economia recorrendo às energias renováveis.

Poupar 95% e lucrar 209 milhões de uSd, quem rejeita?!… De acordo com os estudos matemáticos e recolha de dados feita, essa despesa de mais de 5,8 biliões de dólares anuais, pode facilmente ser reduzida em 95%, aplicando-se energia solar na rede nacional e reduzindo subvenções.

Sucintamente, para produzir a mesma quantidade de energia consumida hoje em Angola, ainda assim, permitindo aos privados, combustível para se abastecerem, não subvencionado, com energia solar, o Governo gastaria menos de 10% dos custos actuais. Isso corresponde a míseros 58.787.686,00USD, quando comparados aos alentados 5.839.139.208,00USD gastos hoje.

O Governo arrecadaria ainda 209.355.095,00USD, como margem resultante do “aumento do preço de kwh”, ilustrou o engenheiro.

O valor avultado gasto, 5.839.139.208,00USD, que se multiplica desde a independência, engloba: “perda entre custos de produção e venda de energia, custos do impacto na Saúde pública, subvenção de combustíveis para o MINEA e privados”. Com a implementação de energias renováveis, particularmente a solar, ao nível da rede nacional de produção, transporte e distribuição de electricidade, esses encargos paralelos e consequentes deixariam de existir. E, assim, a diminuição da subvenção aos combustíveis perderia o impacto negativo na vida das populações, que recorreriam bem menos ao gasóleo e gasolina nas suas casas, empresas ou empregos, até mesmo no seu transporte.

Sobre investimentos dispendiosos e desnecessários…

No terceiro trimestre do ano passado, em Agosto, o Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se ao Huambo, província do planalto central onde inaugurou uma central eléctrica térmica, com capacidade para produção de 50MW de energia. Para o engenheiro Coxe, é vital que, projectos submetidos ao e pelo Executivo, sejam sujeitos a segundas opiniões, garantindose que se aprove o mais vantajoso para o país, beneficiando o maior número possível de pessoas.

O facto de uma proposta surgir de um ministério, não significa, necessariamente, que o estudo de viabilidade tenha sido o mais eficiente, tendo em conta racionalidade e ambiente, ou que tenha sequer incluído métodos alternativos. Isto porque, o valor investido no Huambo, aproximadamente 278.000.000,00€, se fosse usado para energia solar, permitiria a produção de 71MW, 21MW a mais, e favoreceria mais 42% da população que actualmente se beneficia dessa electricidade.

Mais grave ainda, é o facto de as despesas anuais de combustível, estimadas segundo o volume diário necessário para o funcionamento da central, calculado com base em kwh, rondam os 60 milhões de USD.

Adicionando-se os custos fixos intrínsecos ao processo de produção, como o transporte e distribuição e os demais inerentes, o engenheiro mecânico avalia em 126 milhões de USD por ano, despesa que cabe ao Governo. Todavia, se, ao invés, tivesse sido instalada uma central eléctrica de energia solar, obter-se-ia um ganho financeiro imediato: “81% a menos de custos em termos de exploração”, assim, “teríamos mais e custaria menos a explorar”.

Quando a política não tem juízo, o cidadão é que paga…

O trocadilho acima sugere mudanças profundas, já! Segundo projecções com cunho científico, feitas pelo engenheiro Franz-José Coxe, que viveu 30 anos na Suíça, onde se formou, em 2020 o povo angolano irá sofrer ainda mais. Actualmente, o combustível ronda 135Akz/L.

Ao passar, de facto, para 287Akz por litro, os resultados serão assustadores para os bolsos dos cidadãos, principalmente para quem vive a 100% de energia de gerador. De acordo com o estudo apresentado, hoje, em Luanda, o proprietário de um táxi, vulgo, “azul e branco”, gasta cerca de 8.000,00Akz por dia em combustível para a viatura, para um dia inteiro de trabalho.

Em 2020, a despesa subirá para, sensivelmente, 17.000,00Akz/ dia. Por conseguinte, quem irá pagar é o cliente, que estará perante a subida do preço da corrida para, provavelmente, o dobro, se o aumento for proporcional.

Ora, deste exemplo, parte-se para tudo o resto que envolva combustível na produção, conservação, transporte ou fornecimento. Por conseguinte, com a subida dos preços, a tendência é haver nova inflação, logo: energias renováveis precisam-se! Franz-José Coxe, aconselha veemente ao Executivo a enveredar para as energias renováveis, quer seja fotoeléctrica, hidráulica, biomassa ou eólica, dado o impacto ambiental reduzido e, a certeza de diminuição do custo de vida das populações.

Enquanto perito, o seu parecer diz que, havendo vontade política, a energia solar será a mais eficiente de se implementar. Importando-se os equipamentos da China, os custos de aquisição serão semelhantes aos de um gerador. Contudo, as grandes diferenças, para além dos benefícios imensuráveis para o ambiente e saúde pública, sabe-se que as vantagens são também, esmagadoramente, financeiras. Porque, uma vez instalado um painel solar, ao contrário do gerador, não terá custos diários de produção, combustível, pois, a fonte de energia é o Sol, que, felizmente, brilha todos os dias em Angola.

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