PR reconhece mérito na luta contra a corrupção

O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu nesta Quinta-feira, em Luanda, o mérito de quem se dedicou à denúncia de casos suspeitos de corrupção

No final da cerimónia de condecoração do jornalista de investigação e defensor dos direitos humanos Rafael Marques, entre várias individualidades, o Chefe de Estado angolano admitiu que esse reconhecimento possa ter “leitura e reacções díspares, a julgar pelos estereótipos criados ao longo do tempo, quando a corrupção era encarada como algo normal”.

O Presidente João Lourenço condecorou várias individualidades nacionais e estrangeiras, entre membros da sociedade civil, atletas, antigos combatentes e membros do Governo, com as ordens de “Independência do Primeiro Grau”, “Mérito Civil do Primeiro Grau” e com a “Medalha de Bravura e do Mérito Civil de Primeira Classe”.

O Chefe de Estado, que presidiu à cerimónia por ocasião das celebrações do 44° aniversário da Independência Nacional, justificou o reconhecimento pelo contributo dos agraciados à causa do engrandecimento de Angola. Augusto Lote (a título póstumo) e Noé da Silva Saúde foram os dois únicos nacionalistas e ex-presos políticos condecorados com a “Ordem de Independência do Primeiro Grau”, Entre os condecorados com a “Ordem de Mérito Civil do Primeiro Grau” figuram Adjany da Silva, bióloga e premiada pelo National Geographic, Alcides Vinevala Francisco, empreendedor que gerou mais de mil postos de trabalho, e Paula de Oliveira, mentora do projecto de prevenção de mordedura de serpentes. Constam ainda entre os condecorados desta ordem os empresários Carlos Cunha, João Macedo e Rui Manuel dos Santos, bem como a escritora e académica Irene Guerra Marques e a cantora Maria de Lourdes Van-dúnem (a título póstumo).

O Estadista outorgou a “Medalha de Bravura e Mérito Civil” à cantora Maria Clara Monteiro, ao artesão Sebastião Simba Miguel, ao médico italiano Paolo Parimbelli, aos empreendedores Cláudio Buta, e Cristóvão Warscheke, Domingos Vunge, Erickson Mvezi, Deolinda Bibiana, Domingas Cassanga, Verónica Segunda e Hermenegilda Chipuca.

A “Ordem de Mérito Civil” foi extensiva aos integrantes das selecções nacionais de andebol sénior (feminino e masculino), pelas medalhas de ouro nos africanos de Rabat (Marrocos), de pesca desportiva, e pela medalha de bronze no campeonato do mundo, de Durban, África do Sul.

Com a mesma Ordem, o Presidente João Lourenço também condecorou os integrantes da selecção nacional de juniores de Vela Optimist, pela medalha de ouro no africano em Seychelles e a campeã africana júnior de Xadrez, Luzia Pires. Também a título póstumo foi condecorado o académico e político Nfulupinga Landu Víctor, antigo líder do partido PDP-ANA falecido a 2 de Julho de 2004, com a Ordem de Mérito Civil.

Aristides Cateco “Kima Kienda” recebeu a Medalha de Mérito Militar de Primeira Classe. Condecorados sentem-se estimulados Rafael Marques declarou sentir-se estimulado, como cidadão, a lutar por um país melhor, considerando “reconfortante passar de vende-pátria a patriota”, com o reconhecimento do Presidente da República. Falou da necessidade de continuar o processo de moralização dos servidores públicos para que façam o seu trabalho de modo que a população tenha uma vida melhor.

O jornalista e escritor Sousa Jamba repetia que “até agora não estou a acreditar”, considerando que o reconhecimento demonstra espírito de inclusão, estimula o debate e contribui para o desenvolvimento da Nação.

O músico Eduardo Paím dizse estimulado a produzir mais e prometeu para o próximo ano um novo disco, evitando pormenores para “manter o factor surpresa”. Na cerimónia, o Presidente da República enalteceu o papel de quem “desde muito cedo teve a coragem de se bater contra a corrupção crescente, que acabou por se enraizar na nossa sociedade porque a super-estrutura dava mau exemplo e, por isso, não tinha moral para combater o monstro que ela própria criou e do qual se alimentava”.

Para o Presidente João Lourenço, “bravos são aqueles que, ao invés de se lamentarem internamente das dificuldades existentes fazem delas oportunidades para vencer na vida, arregaçam as mangas e vão à luta pelo pão para as suas famílias, sem dependerem necessariamente de um patrão”.

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