Danças angolanas atraem cidadãos brasileiros

“entre os 60 alunos que frequentam as aulas de Kizomba, Semba, Kuduro e Afro-house, maior parte deles brasileiros, acorrem efusivamente para aprenderem as danças, bem como os hábitos e costumes do povo angolano

O Colectivo Kizomba Yetu, que actua em diversos centros e espaços culturais no Estado de São Paulo, desde Agosto do ano passado, tem atraído cidadãos de várias nacionalidades com a realização de aulas de Kizomba, Semba, Kuduro e Afro-house, semanalmente ao Domingo.

Composto por 11 membros desde angolanos, brasileiros e guineenses, em cada lição de carácter gratuito para facilitar o acesso, o grupo regista a presença de mais de 60 alunos onde aprendem sobre as danças e os costumes do povo angolano.

Para melhor ensinar os citadinos, a brasileira Vanessa Dias, que coordena o projecto, deslocou-se ao país em Junho, na companhia de Keila Gomes, com o objectivo de aprimorar os passos dessa arte dançante que pratica há três anos.

Em Luanda, conforme contou, trabalhou com o secretário-geral da Associação Provincial do Carnaval de Luanda, António Oliveira (Delon) e algumas academias, que lhes prestaram suporte e detalhes destas danças, que actualmente é praticada em várias partes do mundo. Vanessa contou que durante o intercâmbio teve de trabalhar bastante, para que os passos fossem aperfeiçoados, e assim poder transmitir o aprendizado aos seus alunos.

“Apenas tive dificuldades com a parte da ginga durante a dança. Nós os brasileiros temos a nossa, mas é bem diferente da dos angolanos. Por isso, tivemos também um professor, que cuidou desta questão”, enfatizou.

A também professora explicou que o interesse pelos estilos dançantes surgiu através dos acessos às publicações nas redes sociais, assim como em eventos culturais onde se dançava a Kizomba. “Depois decidimos começar a ensaiar para melhor dançar. Como muitos têm filhos e não conseguiam ir nas festas à noite para praticar, começamos a ensaiar aos Domingos à tarde.

Levávamos uma coluna e tudo acontecia”, clarificou.
Alunos Durante os ensaios, foi possível ver a satisfação dos formandos, que muito se esforçavam para atingir a perfeição. É o caso do cidadão guineense, Júlio Nandenha, que se estreou no mês em curso, influenciado pelo seu compatriota, um dos professores desta organização. “Vivemos na mesma casa, há muito que via o plano, decidi então ir ver como funciona.

Mesmo antes, dançava um pouco. O que farei é aperfeiçoar”, contou. Satisfeito, considerou gratificante o intercâmbio cultural, tendo incentivado os demais cidadãos africanos na implementação de projectos do género, de modo a mostrarem também a sua cultura.

O cidadão que reconheceu a união entre os dois povos, de Angola e do Brasil, aconselhou aos demais africanos a pautarem pela mesma atitude, de modo a divulgar ainda mais a cultura africana. “Muitos ainda desconhecem a nossa cultura, e pensam que se trata de apenas um país, a África do Sul. Por isso, temos que fomentar projectos assim, para que possam saber da existência de um continente rico, em termos culturais”, explicou.

Por sua vez, a cidadã brasileira, Isanilda de Sousa, está envolvida no projecto desde o seu começo. Pela sua desenvoltura e paixão, tanto pela dança como pelas sonoridades, actualmente é uma das instrutoras. Segundo ela, o que a impeliu a fazer parte desta escola é o facto de as danças demostrarem o factor união e alegria. Por essa e outras, considerou esse intercâmbio cultural benéfico, que no seu ver, tem aproximado as duas nações.

“Este projecto é considerado aqui como a raiz da Kizomba, que realmente agrega todos os elementos, como a questão da união, alegria, festa e diversão. Esse sentimento é que motiva e continua a atrair novos alunos”, disse Isanilde. Relativamente à capacitação das responsáveis do grupo no país, disse ter sido benéfica para o projecto, tendo possibilitado aprimorar os passos.

error: Content is protected !!