Grupo Empresarail Fadiango garante emprego em diversas áreas a 320 jovens

cerca de 320 famílias angolanas garantem o sustento dos seus pares graças a uma iniciativa do Grupo Empresarial Fadiango, que tem à testa o jovem empreendedor Fábio Quiriri, que desenvolve acções nos sectores do saneamento hospitalar, indústria na área de tintas, construção civil e no ramo imobiliário. Entretanto, a criação de uma associação beneficente de âmbito nacional, com vista a ajudar comunidades rurais, consta nos planos do grupo que augura apresentar a respectiva acção filantrópica, no dia, 14, de Novembro.

Como surge o interesse do Grupo Fadiango por projectos sociais?

Enquanto cidadão, pessoa que ama este país, devemos nos sentir “obrigados” a fazer tudo ao nosso alcance para o desenvolvimento de Angola. E isso pode ser feito independentemente do sector em que se opera, oferecendo ao mercado o melhor produto e o serviço possível, bem como a garantia de engajamento em projectos de cariz social.

É por isso que digo sempre que a questão que se coloca não é se o país fez o quê por nós, mas sim o contrário: o que é que estamos a fazer pelo país? Pois, somos nós que fazemos Angola.

Quais são os projectos sociais em que o grupo que lidera está engajado?

Participo activamente em projectos sociais sobretudo na área de educação e de assistência alimentar, com doações directas para centros de acolhimento. Estas acções são realizadas em Luanda, bem como noutras províncias do interior do país.

Para expandir o impacto dessas actividades optamos por constituir uma associação, de âmbito nacional, que será muito brevemente apresentada ao público. Contudo, posso já avançar que no próximo ano lectivo, apoiaremos escolas da zona rural com merenda escolar, no quadro de um projecto que tem também a componente de geração de renda para pequenos e médios agricultores.

E de que forma suporta os custos financeiros deste engajamento social?

As minhas empresas pagam os custos. Mas, como há outras pessoas interessadas em participar, e porque podemos expandir o raio de impacto destas acções, decidi criar uma associação, que permitirá a entrada de mais parceiros e, deste modo, fazermos algo maior e mais abrangente.

O que foi que o atraiu para o mundo dos negócios?

Foi preciso muita coragem. Acredito que fiz o que fiz porque sempre tive uma grande vontade de vencer na vida, de enfrentar dificuldades e, acima de tudo, superálas. Em suma, eu comecei por propor ao proprietário de um armazém comercial que me permitisse recolher os resíduos sólidos do armazém em troca de uma avença mensal.

Foi aceite a proposta e daí tudo começou.
Como assim?

No terceiro pagamento resolvi constituir uma empresa, e daí tive a abertura para outros negócios, ainda micro, mas foi crescendo de forma rápida e sustentada. Em pouco tempo firmei-me na área de prestação de serviços de limpeza em estabelecimentos comerciais e hospitalares, bem como na recolha de resíduos sólidos e líquidos, com elevada qualidade, de tal modo que fomos seleccionados para participar na recolha de resíduos ao nível de alguns municípios da província de Luanda.

Nesta altura o que oferecia de diferente da concorrência?

Desde muito cedo acredito que o mais importante não é apenas ganhar dinheiro, mas, sim, oferecer um serviço útil à sociedade. Quando se pensa desta forma os resultados são sempre os melhores possíveis. Por isso, sempre conseguimos oferecer um serviço com uma boa relação custo benefício, de tal modo que na maior parte das vezes oferecemos um serviço com muito mais entrega e de qualidade com um preço de quase metade da concorrência. Isso fez com que em pouco tempo nos distanciássemos dos nossos oponentes.

Em que momento surgiu a introdução de outros negócios?

Como tinha alguma liquidez, optei por diversificar a minha carteira de investimentos entrando em outras áreas de negócios, nomeadamente a construção civil, indústria de tintas e no sector imobiliário. Alguns negócios deram certo, enquanto outros nem por isso, mas assim fomos caminhando até ao momento em que nos encontramos.

Quando é que se apercebeu desse momento?

Conforme disse, alguns investimentos não deram o resultado esperado, mas tivemos que nos adaptar, reestruturar o investimento e seguir em frente.

Com muito esforço, resiliência e perseverança conseguimos manternos nos três sectores já enumerados, nomeadamente indústria, na área de tintas, construção civil e no ramo imobiliário. Na indústria de tintas estabelecemos uma parceria com uma marca sul-africana que, através desse acordo, permite-nos concluir a linha de produção desta marca em Angola, para posteriormente colocarmos no mercado nacional.

No ramo da construção temos um leque de obras essencialmente privadas, desde residências, estabelecimentos comerciais, entre outras. Ao passo que no ramo imobiliário contamos já com um edifício de cinco andares que será usado essencialmente para escritórios. Mas importa sublinhar que o nosso objectivo é de muito em brevemente instalarmos uma fábrica de tintas cá no nosso país.

E a empresa de limpeza, o que foi feito dela, continua em funcionamento?

Sim, sempre em actividade. Aliás, nunca parou, desde a sua criação.

Quantas pessoas o grupo emprega neste momento?

O Grupo emprega 320 pessoas, na sua maioria jovens. Este é um facto que nos orgulha bastante; saber que 320 famílias encontram sustento na actividade que desenvolvemos. Opto sempre por trabalhar com jovens, sobretudo os que, apesar de algum talento, não
encontram oportunidades.

Devido à minha experiência pela busca de oportunidades, sinto-me no dever de ajudar outros jovens que como eu tiveram que enfrentar dificuldades e ultrapassá-las.

A crise económica que assola o nosso país terá afectado a produtividade do grupo em que medida?

Todas as empresas sofreram e sofrem com a crise, é uma conjuntura completamente diferente, que está a obrigar as empresas a serem mais rigorosas com os investimentos, bem como com a sua estrutura de custos.

Porém, considerando que estamos acostumados a lidar com situações difíceis, não nos assustamos com a nova conjuntura, de tal modo que apesar de termos registado um abrandamento no nosso crescimento, chegando mesmo ao ponto de termos de reduzir pessoal, conseguimos dar a volta por cima e não despedimos ninguém.

Como foi possível dar esta reviravolta?

Acredito que não despedimos ninguém porque, por ser muito humano, nunca olhei para os meus colegas apenas como recursos, mas sim como pessoas, que devem ser valorizadas e respeitadas. Isso foi determinante para encontrarmos outras soluções ao invés de optarmos pela redução do pessoal.

Neste momento qual é o volume de negócios do grupo?

A respeito desta questão o que posso avançar é que temos um bom volume de negócios, que nos está a permitir gerir estas flutuações com alguma tranquilidade. Mas importa aqui sublinhar que para este ano está prevista uma redução que poderá rondar entre os 15 e 20%.

Mas é uma redução calculada, que não compromete o pagamento da nossa estrutura de custos, por isso estamos tranquilos e preparados para gerir esta e outras situações que possam surgir pela frente.

Importa sublinhar que estamos confiantes no futuro, daí estarmos a nos preparar para expandir a nossa carteira de investimentos, com a entrada na área da saúde, onde pretendemos construir clínicas, sobretudo nas províncias do interior do país, de modo que possamos alargar o acesso da população a esses serviços, por isso vamos priorizar as cidades que registam maior necessidade.

Perfil

Natural da província Luanda, Fábio André da Silva Quiriri nasceu a 5 de Abril de 1983, propriamente à entrada da rua Murtala Mohamed (Ilha de Luanda). Após ter enfrentado diversas dificuldades na vida, venceu e garante hoje o sustento de 320 famílias.

Mais do que isso, Fábio gasta grande parte dos seus recursos em programas de responsabilidade social, porque acredita que todos, sobretudo os jovens, são responsáveis pelo desenvolvimento da sociedade angolana.

Com a morte do seu pai, sem capacidade de custear os estudos, viu-se forçado a fazer negócios para, juntamente com os irmãos, ajudar a mãe a pagar as despesas, conciliando os estudos e o trabalho, tendo, com muita dificuldade, conseguido concluir o ensino médio, para mais tarde frequentar o curso superior de psicologia.

Hoje, com a sua família e a sua empresa com actuação em quatro sectores de actividade, Fábio prepara-se para apresentar publicamente mais uma iniciativa, desta vez, uma associação de âmbito nacional com cariz social

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