Morre estudante de Hong kong que sofreu queda durante acção da polícia contra manifestantes

Um aluno de uma universidade de Hong Kong caído de um andar de um edifício-garagem durante protestos pró-democracia no final de semana morreu nesta Sexta-feira, naquela que é a primeira morte de um estudante em meses de manifestações na cidade sob controlo chinês e um provável rastilho de novos tumultos

Chow Tsz-lok, de 22 anos, que estudava na Universidade de Ciência e Tecnologia (UST), morreu em decorrência dos ferimentos que sofreu nas primeiras horas de Segunda-feira, quando caiu do terceiro para o segundo andar de um estacionamento durante uma operação de dispersão da polícia.

A morte de Chow, ocorrida no dia da formatura de muitos estudantes, deve despertar revolta contra a polícia, já pressionada por acusações de uso de força excessiva num momento em que a cidade enfrenta a sua pior crise política em décadas.

Alunos da UST vandalizaram uma unidade da Starbucks no campus, parte de uma franquia que é vista como pró-Pequim, e esperam-se protestos em todo oterritório de noite, quando a violência normalmente se intensifica. “Denunciem a brutalidade policial”, escreveram os estudantes na parede de vidro do restaurante.

Muitos manifestantes foram ao hospital nesta semana para rezar por Chow, deixando flores e centenas de mensagens desejando melhoras, nas paredes. Estudantes também realizaram eventos em universidades de toda a ex-colónia britânica. “Ele era uma boa pessoa. Era esportista. Gostava de jogar netball e basquete”, disse o colega da UST e amigo Ben, de 25 anos, à Reuters em prantos.

“Jogamos netball juntos durante um ano. Espero que ele descanse em paz. Sinto muita saudade dele”. Estudantes e jovens têm estado na linha da frente das centenas de milhares de pessoas que têm ido às  ruas desde Junho para pedir mais democracia, entre outras exigências, e repudiar o que vêem como uma interferência chinesa no pólo financeiro asiático.

Os protestos, desencadeados por um projecto de lei de extradição já descartado que teria permitido que pessoas fossem enviadas à China continental para julgamento, se transformaram em clamores mais abrangentes por democracia, tornando-se um dos maiores desafios para o presidente chinês, Xi Jinping, desde que ele assumiu o poder, em 2012.

“Vimos imagens de (uma) ambulância a ser bloqueada por carros da polícia e que paramédicos precisaram andar até ao local, o que provocou um atraso de 20 minutos na operação de resgate do nosso estudante”, disse o presidente da UST, Wei Shyy, num comunicado.

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