Akwa Mana clama por aumento das verbas para a região Leste

O Movimento Cívico do Leste de Angola “Akwa Mana” considera abismal a diferença entre as verbas propostas para as Lundas Norte e Sul e o Moxico, em relação às das demais províncias, constante no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020, submetida recentemente pelo Executivo à Assembleia Nacional. Por essa razão, pede a todos os deputados, sem excepção, incluindo a bancada maioritária do MPLA, que tenham piedade do povo do Leste e não aprovem o orçamento actual

Por:Maria Texeira 

Gui lherme Matias, presidente da “Akwa Mana”, declarou, em exclusivo a OPAÍS, que foi com bastante tristeza que tomaram conhecimento da Proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020, que mantém a mesma verba do ano passado destinada a essa parcela do país. Segundo o responsável, a Lunda-Sul foi a província que esteve na cauda do Orçamento de 2019, com cerca de 36 mil milhões de kwanzas e com a revisão baixou para 22 mil milhões de kwanzas. Entretanto, o aumento da fasquia para cerca de 51 mil milhões de kwanzas, no OGE de 2020, não os satisfaz, alegadamente pelo facto de a província ser a que menos receberá.

O líder associativo, que falava em nome do povo da região Sul, pede ao Executivo que aumente a fasquia para o próximo ano, uma vez que a que foi atribuída é insuficiente para as despesas da região. “Somando todas as verbas atribuídas às três províncias do Leste, não chega a 190 mil milhões de Kwanzas. A Lunda Norte recebe cerca de 70 mil milhões, o Moxico cerca de 64 mil milhões, mais o valor da Lunda- Sul. Isto demonstra um aprofundar das assimetrias regionais”, detalhou. O responsável acrescenta que “não vemos, assim, a vontade do Executivo em combater as assimetrias regionais como se tem dito”. E desabafou que se sentem as consequências dessas assimetrias regionais. “O Leste não tem infra-estruturas rodoviárias passados 17 anos de paz. Só para não falarmos dos 44 anos de independência.

O Leste continua isolado do resto do país, concretamente da capital Luanda, porque a Estrada Nacional 230 termina em Malanje”, explicou. Guilherme Matias ressaltou que as pessoas que viajam de Malanje a Saurimo passam vários dias ao longo do percurso porque fazem-no passando apenas por buracos. Por isso, diz ter ficado bastante surpreendido ao ouvir o Presidente da República, João Lourenço, anunciar recentemente, no Discurso sobre o Estado da Nação, que as estradas estão reabilitadas. Para dissipar quaisquer dúvidas, esclareceu que actualmente há uma área, depois do desvio do Cuango, de difícil circulação apelidada de “banheira”. “O asfalto que o colono deixou desapareceu todo ao longo de uma estrada que liga Saurimo aMalanje, numa extensão de 500 quilómetros. Uma situação que inquieta a população”, revelou.

Sem hospital de referência

No domínio da saúde, a região Leste, a mais vasta do país, comparativamente às regiões Norte e Sul, também é a menos Uma das avenidas da cidade de Saurimo contemplada, uma vez que não dispõe sequer de um hospital de referência, de acordo com o nosso interlocutor. Em consequência, muitos pacientes são evacuados de Saurimo, Dundo ou Luena para Malanje ou para Luanda à procura de assistência médica. Alguns acabam por morrer ao longo caminho devido ao mau estado da via. “Na Estrada Nacional 180 (que une duas das três capitais do Leste) também não se circula condignamente porque, até hoje, não existe a ligação perfeita entre Saurimo/Dundo. Há um troço que hoje, passados 17 anos de paz, continua por reabilitar”, afirmou.

O presidente da Akwa Mana contou que entre Saurimo e Luena, antes de chegar ao Dala, não se circula perfeitamente Faltam bibliotecas e laboratórios Guilherme Matias fez saber que, apesar de existirem várias instituições do ensino superior como a Universidade Lueji A’Nkonde, o Núcleo da Universidade José Eduardo dos Santos, no Luena, entre outros institu- De acordo com o líder associativo, os técnicos formados em engenharia contratados por tais empresas são provenientes de outras partes do país. O mesmo acontece no ramo da construção, o que agrava o desemprego na região Leste. “Esse orçamento que se aprova para as Lundas Norte e Sul e o Moxico chega apenas para o saneamento básico, a remoção do lixo e talvez para concertar um ou outro fio de energia eléctrica que tenha rebentado”, afirmou, ironizando. A energia eléctrica é uma miragem para os habitantes dessa região.

Segundo Guilherme Matias, somente as principais avenidas das capitais das três províncias beneficiam de iluminação pública, embora com alguma deficiência. Tendo em conta a importância da energia eléctrica para a industrialização, o nosso interlocutor considera que a região está longe de atingir o nível de desenvolvimento preconizado pelas autoridades governamentais, no presente século. tos superiores, quer sejam públicos ou privados, não existem laboratórios nem bibliotecas. O mesmo acontece com as instituições de ensino secundário. “Aqui só se escreve tudo. É teoria daqui, teoria daí, razão pela qual as empresas de extracção de diamantes dificilmente empregam quadros formados localmente De acordo com o líder associativo, os técnicos formados em engenharia contratados por tais empresas são provenientes de outras partes do país.

O mesmo acontece no ramo da construção, o que agrava o desemprego na região Leste. “Esse orçamento que se aprova para as Lundas Norte e Sul e o Moxico chega apenas para o saneamento básico, a remoção do lixo e talvez para concertar um ou outro fio de energia eléctrica que tenha rebentado”, afirmou, ironizando. A energia eléctrica é uma miragem para os habitantes dessa região. Segundo Guilherme Matias, somente as principais avenidas das capitais das três províncias beneficiam de iluminação pública, embora com alguma deficiência. Tendo em conta a importância da energia eléctrica para a industrialização, o nosso interlocutor considera que a região está longe de atingir o nível de desenvolvimento preconizado pelas autoridades governamentais, no presente século.

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