“Estamos a trabalhar para resolver situações pungentes”

O vice-governador para a área Política e Social da Lunda-Sul, Cassombo João da Cruz, disse ontem, em Saurimo, que o pelouro a que pertence está a trabalhar no sentido de resolver os problemas que afligem a província, como o desemprego, as vias de acesso para o escoamento dos produtos, saúde e melhoria das condições de vida

Por:Romão Brandão, enviado à Lunda-Sul

A preocupação das vias de acesso, que muito tem sido apresentada principalmente pelos automobilistas e interessados em investir na agricultura, está na lista do actual governador da Lunda-Sul, uma vez que procura apostar seriamente no sector agrícola. Essa questão foi avançada pelo vicegovernador local para a área Política e Social, durante uma breve entrevista sobre a província. Quando se fala da Lunda-Sul, a primeira leitura que é feita é que trata-se de uma província onde a economia gira em torno do diamante, uma situação que o actual governador tem envidado esforços, segundo o entrevistado, no sentido de se mudar, já que procuram investir noutros sectores.

Estão a fazer um trabalho grande naquilo que diz respeito à área da agricultura e piscicultura e, por isso, em tempos levaram um grupo de agricultores locais para uma  troca de experiências com o Sul do país, sobretudo Bié e Huambo, para começar a potencializar o sector agrícola. Estão a desbravar e desminar uma área para fazerem o lançamento do ano agrícola, previsto para o dia 11 do corrente mês. Defende a ideia de se evoluir para além da agricultura de subsistência familiar, uma vez que o governo já tem alguns materiais e está a formar algumas brigadas que possam ajudar os agricultores. Por outro lado, o responsável reconhece que há um nível elevado de desemprego na juventude da Lunda-Sul, pelo que o governo local tudo tem feito no sentido de minimizar esta situação, com investimentos na formação e parceria com empresas privadas.

“É uma situação desafiadora e o governador tem estado a se empenhar”, disse. É preocupação também do governo da Lunda-Sul a questão relacionada com a saúde, por isso, o entrevistado fez questão de mencionar que houve melhoria neste sector, desde a organização das instituições hospitalares e o atendimento que dali advém, com pelo menos o básico que se exige. Assumiu que ainda não se chegou ao nível que se pretende e prometeu melhorias nos próximos tempos. A Sociedade Mineira de Catoca, um dos principais parceiros, segundo Cassombo da Cruz, tem mostrado algum interesse em ajudar, principalmente no desenvolvimento das comunidades próximas da mineradora

. É uma colaboração mútua que poderá dar resposta a questões relacionadas com a energia, água e saúde, próxima dessas comunidades. O vice-governador trouxe na conversa a empresa Catoca porque foi entrevistado por ocasião da comemoração adiantada do 11 de Novembro (Dia dos Heróis Nacional), na cidade de Catoca. Aproveitou para adiantar que estão a rever uma série de protocolos com a Catoca, para que se avance com os projectos todos ligados às comunidades.

Protocolo com Catoca para melhoria de condição de vida

Olávio Fernandes Francisco, chefe do departamento de sustentabilidade da Catoca, aproveitou a oportunidade para reafirmar que a responsabilidade social da mineradora consubstancia-se nas áreas de saúde, educação e também na melhoria das condições de habitabilidade das populações, para além das assistências prestadas nos lares de acolhimento de Saurimo. Quanto aos protocolos frisados pelo vice-governador, confirmou- os, tendo acrescentado que asseguram a contribuição de Catoca no desenvolvimento social da Lunda-Sul, com a continuidade do programa de merenda escolar, onde distribuem cerca de 25 mil merendas por dia, para cerca de 55 escolas.

Ainda no capítulo da Educação, falou da distribuição de 5 mil quites de materiais escolares para áreas próximas da Catoca. Continuam a manter a manutenção técnica dos sistemas de abastecimento de água, que beneficiam mais de seis mil habitantes, para além de manterem também o programa de fomento agrícola que teve início no ano passado. “Estamos com 100 hectares de terra preparados, dos quais 60 já estão cultivados com mandioca, milho e feijão, no sentido de assegurar a subsistência das famílias. No bairro social de Luaxi, onde 36 cubatas que existiam próximo da zona de prospecção geológica, estão construídas já 36 habitações, com água, energia eléctrica solar, escola e um posto de saúde, e aguardam o acordo com uma comissão provincial para a sua entrega”, aponta. Para além das habitações, aquele responsável disse ainda que foi preparado, naquela zona, um campo de 30 hectares, já cultivado, para que a população transferida para este local tenha alguma fonte de subsistência

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