Prémio Nacional de Cultura e Artes focado na valorização e respeito pela ancestralidade cultural

Além da outorga dos galardões aos vencedores desta XX edição, a fusão entre gerações musicais e a passagem de testemunho para o futuro da música angolana, marcou o evento

Por:Augusto Nunes

O auditório do Cine Tropical, em Luanda, foi o palco da cerimónia da outorga do Prémio Nacional de Cultura e Artes, 2019, uma iniciativa do Mincult. Figuras distintas, ligadas ao universo das artes, da política, do desporto, entre outras, testemunharam o acto, que foi antecedido por uma exposição de pintura de vários artistas no interior da sala. A cerimónia, apresentada por Mateus Gonçalves e Kinna Santos, iniciou com a actuação do músico Ndaka Yo Wiñi, que fez uma viagem pela ancestralidade, ilustrando o Tchingandji Sakalumbu e outros, ao som do batuque do Ballet Kilandukilu, uma recolha feita pelo cantor no Sul de Angola. A este seguiram-se os Lírikus (Orquestra Filarmónica de Luanda, homenageando Té Macedo, e Kizua Gourgel, no mesmo diapasão, homenageando o Conjunto Ngola Ritmos e Carlitos Vieira Dias.

“Colonial”, “Nzaji” e “Henda-ya-xala”, foram as propostas. A gala prosseguiu com a actuação de Mr. Quim, que interpretou Elias Dya Kimuezo, Bonga e Carlos Burity, ao que se seguiu Toti Samed, que homenageou Rui Mingas e Carlos Lamartine. Dando sequência ao evento, subiu ao palco Branca Celeste, interpretando Mito Gaspar e Gabriel Tchiema, a que se juntou o exímio guitarrista Tedy, homenageando Zé Keno, culminando com Xico da Banda Maravilha. O ponto mais alto da gala foi o da outorga dos prémio aos vencedores desta XX Edição que, além de homenagear os laureados, apresentou a fusão entre gerações musicais e a passagem de testemunho para o futuro da música angolana. Tratou-se de uma verdadeira promoção da valorização cultural e o respeito a ancestralidade cultural da matriz e a sua representatividade no evento.

Nesta cerimónia, o escritor José Eduardo Agualusa, vencedor na categoria de Literatura, foi o primeiro a receber o galardão, seguindo-se Alberto Teta Lando, vencedor a título póstumo, cujo prémio foi recebido pelo filho do músico. Dorivaldo Cortez, vencedor na categoria de Cinema e Audiovisual, foi o terceiro galardoado da noite, fruto da sua acção criativa na valorização e promoção da produção cinematográfica angolana. A premiação prosseguiu com a atribuição do galardão a Globo Dikulu, pelo empenho na massificação das artes cénicas angolanas, com a realização anual do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca).

O prémio foi extensivo a António Domingos “Tony Mulato”, vencedor na categoria de dança, pela dedicação na recuperação das danças carnavalescas, particularmente da Cabecinha, com o grupo União Njinga a Mbande e a historiadora Constança Ceita, na vertente da Investigação em Ciências Humanas e Sociais, pela obra “O Estranho Destino de Um Sertanejo na África: a Transculturação de Silva Porto- 1838-1890”. Encerrou a cerimónia, Eduardo Paim, que fez uma incursão no tempo, trazendo à tona os memoráveis sucessos “Rosa Baila, “Som da Banda”, “Kanjila”,”Ilha Maravilha” entre outras.

O Galardão O Prémio Nacional de Cultura e Artes é a mais importante distinção do Estado Angolano neste sector, tendo como principal objectivo incentivar a criação artística e cultural, bem como a investigação científica no domínio das ciências humanas e sociais. É atribuído nas categorias de literatura, artes plásticas, dança, música, teatro, cinema e audiovisuais, investigação em ciências humanas e sociais, festividades culturais populares e jornalismo cultural. O prémio constitui uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos, de modo a perpetuar entre os cidadãos ideias tendentes à compreensão das múltiplas formas da criação artística e diversidade das manifestações linguísticas.

 

error: Content is protected !!