Heróis da batalha do Ebo clamam por reconhecimento do sangue derramado à favor da Independência

Apesar de já se passarem mais de quatro décadas desde a conquista da Independência Nacional, os heróis da batalha do Ebo ainda têm em mente o dia 10 de Novembro que ficou marcado com o triste cenário de mortes de centenas de cidadãos angolanos e cubanos que tudo fizeram para travar as forças armadas sul-africanas que tentavam inviabilizar o processo de proclamação da Independência Nacional

No dia em que o país comemora 44 anos de Independência, parte do conjunto de cidadãos nacionais que travaram a dura batalha do Ebo, no município com o mesmo nome, província do Cuanza-Sul, clamam por mais reconhecimento de todo o sacrifício consentidos a favor da liberdade do país.

No entanto, apesar de já se passarem mais de quatro décadas desde a conquista da Independência Nacional, os heróis da batalha do Ebo ainda têm em mente o dia 10 de Novembro, que ficou marcado cpelo triste cenário de mortes de centenas de cidadãos angolanos e cubanos que tudo fizeram para travar as forças armadas sul-africanas que tentavam inviabilizar o processo de proclamação da Independência Nacional.

Nesse dia, as forças do país africano saiam do município do Waku Kungo com o objectivo de escalar Luanda, tendo como porta de acesso o Ebo e posteriormente escalariam a Gabela. Porém, ao se aperceberem da intenção dos sul-africanos, os tropas cubanas juntaram-se às antigas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e a antiga Organização de Defesa Popular (ODP) e com todo o arsenal militar inviabilizaram o macabro plano.

A região de Mapassa, arredores da Vila do Ebo, foi o palco da batalha que durou perto de seis horas, em que centenas de vidas foram perdidas sob forte disparos de armas de fogo, misséis provenientes de máquinas blindadas e projécteis de grande alcance. Durante a batalha, inclusive um avião de reconhecimento das tropas sul-africanas foi abatido,
tendo provocado a morte de outras centenas de vidas.

Ainda com a triste lembrança viva, Miguel Mendes, 81 anos de idade, lembra que, assim como outros tantos cidadãos, teve de refugiar-se na região do Showas, arredores da vila do Ebo. Conforme explicou, a fuga por aquelas terras foi depois de ver todo o seu arsenal de defesa esgotado em prol da dura batalha que dizimou, para além de militares, outro grupo de cidadãos vulneráveis como mulheres, crianças e velhos.

O antigo efectivo da ODP disse que o plano para impedir a proclamação da Independência tinha tudo muito bem montado, porque as forças sul-africanas tinham estudado a região desde meses anteriores, mas eram milimetricamente controladas pelas FAPLA, a que já se haviam juntado os militares cubanos que acompanhavam tudo ao pormenor.

Segundo Miguel Mendes, aquele dia 10 era para ser um momento de festa, porque antecipava a celebração da Independência Nacional que era uma ocasião bastante esperada pelos angolanos depois de longos anos de colonização e escravidão pela “metrópole” portuguesa. “Mas a nossa festa acabou quando se começou a ver os sulafricanos a descerem o Ebo com o intuito de chegarem até à Gabela.

A partir dali deviam subir até ao Sumbe, e posteriormente escalariam Luanda. Mas tudo ficou por aqui porque já havia um plano bem montado das tropas cubanas com os angolanos. Isso é que nos salvou, senão, já devíamos estar todos mortos e a Independência nem devia ser um facto”, recorda o ancião.

Era preciso dar a vida para garantir a vida da geração vindoura Por seu lado, Manuel Pinto, 74 anos de idade, compreende que era preciso dar a vida para que hoje a nova geração pudesse viver num país livre e soberano.

Por esse motivo, frisou, apesar de toda a engenharia militar das tropas sul-africanas, os angolanos, sob orientação e ajuda dos cubanos, não se coibiram de lutar para que, efectivamente, o processo de proclamação da Independência nacional fosse um facto.

De acordo com o também antigo tropa da ODP, já todo o país celebrava a chegada da Independência, pelo que não se poderia mais adiar o sonho da Angola independente, una e coesa. Por esse motivo, frisou, forças não faltaram para travar o macabro plano na vila do Ebo, que, apesar de ser pequena, sou

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