Ritmos dos tambores de Angola e Brasil invadem Casa da Cultural em São Paulo

A apresentação das duas formações visou a participação no FESCALA - Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana , que decorre até 15 do corrente mês, o que permitiu aos artistas interagirem ao som dos batuques, chocalhos e tambores, que provocou uma interacção entre sons, rudimentar e o sofisticado

O grupo de dança angolano de percussão “Bismas das Acácias”, oriundo da província de Benguela, partilhou no Domingo, 10, o palco da Casa de Cultura Chico Science, em São Paulo, com dois grupos brasileiros, que com o rufar dos batuques, combinaram várias coreografias.

A apresentação das duas formações enquadrou-se no FESCALA – Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana, que decorre até 15 do corrente mês, permitiu aos artistas interagirem ao som dos batuques, chocalhos e tambores, provocando uma interacção entre os sons, rudimentar e o sofisticado.

Durante a actuação, os grupos foram aplaudidos pela iniciativa que visou assinalar o momento cultural. A responsável do grupo angolano, Deolinda Trindade, realçou, na ocasião, que ficou entusiasmada com a recepção e a interacção tida com os artistas e o público. “Foi um momento muito bom, um intercâmbio muito interessante, conforme prevíamos. Isso para nós é muito importante, porque mostra que gostaram daquilo que trouxemos para eles”, considerou.

Por seu turno, o cidadão brasileiro Alexandre Miranda, do Movimento Negra da Capoeira, adiantou que houve diálogo entre os instrumentos de percussão que, na sua óptica, têm a mesma origem, a africana, que se confrontaram e dialogaram. Referiu ainda que a actuação do grupo angolano trouxe ao Brasil os seus ritmos, danças e cantos, que implicou também trazer mais uma expressão do continente africano, sob o contexto cultural.

Outras coreografias

O grupo de Benguela, fundado em 1984, apresentou ainda três coreografias: a “Dança do caçador”, que retrata o dia-a-dia do homem que se dedica a essa prática, a “Simbiose do Ndongo”, relativo aos rituais realizados, no caso, uma festa no período de colheita. Todas elas representam a região sul do país. Para a montagem das coreografias, o grupo tem realizado pesquisas de campo, para melhor interpretar, com as referidas apresentações a também dançarina referiu que pretenderam mostrar e despertar o interesse nos cidadãos brasileiros pelas danças africanas, sobretudo as angolanas.

“Espero termos mais ligações entre culturas, interagir com os artistas presentes neste festival, para assim efectuarmos um intercâmbio proveitoso, tudo em prol do Dia da Consciência Negra”, perspectivou.

Outras actividades

Durante esta actividade cultural, registaram-se várias actuações, como a Roda de Samba e o Sarau Musical da Capoeira. Esta última um trabalho baseado em pesquisa sobre a cultura de matriz africana realizada há dez anos. A referida apresentação, conforme explicou, “Espero termos mais ligações entre culturas, interagir com os artistas presentes neste festival, para assim efectuarmos um intercâmbio proveitoso, tudo em prol do Dia da Consciência Negra” visou agregar outras linguagens da dança, das artes visuais, da moda e da relação do Brasil com o continente africano, fazendo com que a distância seja minimizada”.

“Os escravizados que vieram para o Brasil, grande parte vieram de Angola, de Luanda e Benguela. Eles foram os primeiros a habitar nesta terra. Então a capoeira faz uma referência muito grande ao povo angolano”, enfatizou. Exposições Houve igualmente uma exposição de produtos africanos, tais como roupas de pano africano, acessórios, peças artesanais, gastronomia, saias de origem indiana, perfumes artesanais, roupas de ocasião, assim como quadros de artes plásticas e desenhos.

Curiosamente, neste certame, uma cidadã senegalesa que reside no país há 4 anos, aproveitou o momento para comercializar roupas africanas para homens, mulheres e crianças. A comerciante deu a conhecer que o produto é muito solicitado pelos citadinos locais. A artista brasileira Analu Camargo, em representação do projecto “Use Saia”, expôs também saias de origem indiana, de vários tecidos e designers. Esta indumentária pode ser usada em eventos ocasionais, e até mesmo para apresentação de uma coreografia. Neste universo de mostras, os produtos angolanos, no caso peças artesanais, como o imbondeiro, a máscara Mwana Pwó, sandálias, panos africanos, estiveram expostos.

A gastronomia nesta actividade esteve a cargo da empresa Dendéngo, que ostentou comidas brasileiras, influenciadas por ingredientes africanos, como dendê e quiabo. Artes plásticas Outro pormenor a realçar neste prestigiado evento é a exposição do artista plástico local Lumumba, patente desde o princípio do mês em curso.

A colecção visa saudar o Dia da Consciência Negra, assinalado a 20 deste mês e neste trabalho o talentoso artista apresentou todas as suas obras, desde pintura em madeira, bem como esculturas, em que busca as suas origens afro-indígenas. “Sou descendente de congoleses, a minha bisavó é congolesa. O meu nome é uma herança da minha terra. Sou também Guarani, que é indígena brasileiro. O meu trabalho é basicamente contar essa história”, narrou.

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