Combate à Pólio “arrasta” campanha antirrábica para dezembro

A campanha de vacinação contra a raiva, cujo início estava previsto para 1 de Novembro do corrente ano, foi adiada para o mês de Dezembro, segundo o director do gabinete provincial de Luanda da Agricultura, Pecuária e Pescas, João Vladimir, para dar prioridade à campanha contra a Pólio. No próximo “assalto contra a raiva” prevê-se vacinar mais de 800 mil animais na capital do país

A morte por mordedura de animais infectados com raiva ainda é um problema no nosso país e principalmente em Luanda, cidade que lidera as estatísticas. Um relatório apresentado no ano passado, feito pela Comissão Técnica Contra a Raiva, na qual foi balanceada a implementação das actividades preconizadas no Plano Nacional de Contingência e Emergência Contra a Raiva, dá conta que foram notificados um total de mil e 977 casos de mordedura de cães vadios ou semi-domiciliados infectados com o vírus da raiva no período de 2007 a 2017, tendo resultado em igual número de mortes.

As províncias com maior incidência de casos de raiva são as de Luanda (774), Huambo (222), Bié (211), Benguela (153), Uíge (150), Huíla (120) e Malanje (100).

Por haver registos preocupantes de mortes por raiva, tinha sido agendada para o dia 1 de Novembro uma campanha de vacinação contra a raiva em Luanda, mas que foi adiada para Dezembro. Segundo o director do Gabinete Provincial de Luanda da Agricultura, Pecuária e Pescas, João Vladimir, o adiamento deveu-se ao facto de o GPL, depois da emergência que surgiu no Ministério da Saúde sobre a Poliomielite, ter envidado todos os esforços no sentido de engajar-se nesta outra campanha.

Muitos dos materiais (e muitos dos brigadistas) que poderiam ser chamados para a campanha de vacinação contra a raiva serão utilizados na primeira fase da campanha contra a Pólio. “Boa parte dos materiais são do Ministério da Saúde, nós conservamos as vacinas no mesmo ministério, pelo que é impossível ter duas campanhas de vacinação em simultâneo”, disse.

A vacinação contra a Pólio está neste momento prestes a entrar na fase um, depois de já terem feito a zero, que será nos dias 15, 16 e 17 de Novembro. Só depois da fase dois da campanha contra a Pólio é que a contra raiva vai avançar, de acordo com o interlocutor. O responsável falava em exclusivo ao jornal OPAÍS e assegurou que o dia 6 de Dezembro é a data prevista para o início da vacinação contra a raiva, campanha cuja duração será de quinze dias, em todos os municípios da cidade de Luanda.

“Prevê-se vacinar pelo menos 800 mil animais (cães, gatos e macacos). Felizmente, todas as condições logísticas estão criadas e tão-logo termine a outra campanha, vamos vacinar os animais ainda este ano”, disse, tendo acrescentado que, por outra, não avançaram com a campanha também pelo facto de que quem normalmente leva os animais à vacinação são as crianças e adolescentes e, até lá (6 de Dezembro) elas já estarão de férias na escola.

De acordo com o chefe do departamento dos Serviços Veterinários de Luanda, nenhum município da capital do país está isento da raiva, com os municípios de Viana, Cacuaco, Talatona e Belas a continuarem a registar os maiores números de casos.

Ainda no relatório citado no início desta matéria, consta que o débil sistema de recolha de animais vadios, na sua maioria cães semidomiciliados, é também apontado como uma das causas que têm contribuído para o aumento do número de mordeduras e transmissão do vírus da raiva aos humanos, assim como a fraca adesão por parte da população, sobretudo no meio rural.

Para o efectivo controlo e eliminação da doença em Angola sugere- se uma maior interacção entre os serviços veterinários dos governos provinciais, administrações municipais, população, órgãos de comunicação social, entre outras instituições vocacionadas.-

error: Content is protected !!