Angola investe na tradução de línguas para aproximação dos países africanos

Esta informação foi avançada pelo secretário de Estado da Cultura que lamenta o facto de as obras africanas circularem melhor pelo mundo fora do que no próprio continente africano

Aguinaldo Cristóvão revelou, recentemente, em Luanda, que uma das apostas que o Estado angolano tem velado é o mecanismo da tradução de línguas para aproximação dos países africanos. A seu ver, há países africanos que se expressam em língua portuguesa, francesa e outros que se expressam em língua inglesa, porém, ressalta que o mecanismo da tradução é muito poderoso e que também pode aproximar mais o conhecimento de cada um dos países do continente berço. A par disso, referiu que este mecanismo encaixa-se, igualmente, no âmbito da literatura, de maneiras a permitir ou facilitar que haja uma maior circulação dos livros africanos em território africano.

“O mecanismo das traduções de obras vai possibilitar que aquilo que é produzido na África do Norte deve ser conhecido na região austral do nosso continente, aquilo que é produzido na África Central deve ser do conhecimento da África Austral e vice-versa”, clarificou. Disseminação de obras Outrossim, o secretário de Estado avançou que o grande desafio que se enfrenta não é o da produção intelectual, mas sim da sua disseminação, ou seja, que se encontrem formas mais adequadas para que o nosso conhecimento possa chegar aos outros países do nosso próprio continente.

“A nossa experiência e aquilo que nós temos estado a constatar é que a produção intelectual africana é divulgada fora do continente africano, muito mais facilmente e até traduzida, do que dentro do próprio continente”, lamentou. Aguinaldo Cristóvão lembra que foi a partilha do conhecimento africano que permitiu que o nosso continente pudesse transitar de uma fase pré-colonial, colonial, para o período de independência. “Foi necessário não apenas ter o conhecimento fora do continente, mas principalmente ter a experiência e a ajuda entre os intelectuais do nosso continente”, disse. Para o nosso interlocutor, ao se falar dos escritores africanos, temse uma temática muito mais ampla, isto é, no seu entender, de tudo aquilo quanto nos une.

“Os escritores são exactamente esses homens e mulheres, que baseiam- se no nosso dia-a-dia e com o seu conhecimento conseguem transmitir noutro formato, a nossa realidade e que pode perdurar para futuras gerações”, definiu. Importa referir que os escritores africanos sempre foram ferramentas revolucionárias, como foi com a negritude – o nome dado a uma corrente literária que agregou escritores negros de países que foram colonizados pela França, cujos objectivos são o da valorização da cultura negra em países africanos ou com populações afro-descendentes expressivas que foram vítimas da opressão colonialista.

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