João Lourenço homenageia embaixador Nvunda

O Presidente da República, João Lourenço, homenageou ontem (Quarta-feira) o primeiro embaixador do reino do Kongo junto da Santa Sé, Dom António Manuel Nvunda “Negrita”, depositando uma coroa de flores na sua sepultura

Dom António Manuel Nvunda, até então emissário do reino do Kongo, chegou a Roma, Itália, em 1608, após quatro anos de viagem a bordo de uma caravela, tendo passado pelo Brasil e Espanha. A propósito, o vigário da Sé Catedral de Mbanza Kongo, padre Pedro Sampaio, contextualizou esse período, sublinhado que ainda não existia tráfico de escravos. Com plenos poderes, o enviado do rei do Kongo tinha a missão de manter contacto directo com o Papa Paulo V para o envio de missionários para Mbanza Kongo, actual capital da província angolana do Zaire, para envangelização.

António Manuel Nvunda chegou a Roma esgotado pelos contratempos da viagem, privações e fadiga. Morreu dias depois de desembarcar na capital da Itália. Por orientação do Papa Paulo V, os restos mortais de António Manuel Nvunda, chamado “Negrita” pelos romanos, foram sepultados na capela Xisto V, na Basílica de Santa Maria Maior.

A Basílica permaneceu como parte do território italiano e não do Vaticano depois do Tratado de Latrão (1929), firmado entre a Santa Sé e o então reino da Itália, embora a Santa Sé mantenha-se proprietária do edifício e do terreno. Em seguida, o Chefe de Estado visitou os nove Museus do Vaticano, actualmente, um dos complexos museológicos mais importantes do mundo. João Lourenço tomou contacto, por exemplo, com obras de arte da época egípcia até ao final do Renascimento.

Capela Sistina

O ponto alto da sua visita foi a Capela Sistina. A grande atracção deste local é o conjunto de frescos pintados por Miguel Ângelo, tanto no tecto como na parede do altar. Além de Miguel Ângelo, outros grandes nomes fizeram parte da restauração. Pietro Perugino, Sandro Botticelli e Domenico Ghirlandaio pintaram uma série de painéis retratando a vida do profeta Moisés e de Jesus Cristo. Actualmente, a capela é o local onde se realiza o conclave que é o processo pelo qual se escolhe um novo Papa.

Assinatura de acordos

Aproveitando a deslocação do Presidente da República a Roma foram assinados ontem, na capital transalpina, acordos-contratos no sector dos petróleos entre o Governo angolano e a ENI, a companhia italiana do sector de petróleo e gás. Com a mesma empresa, e na presença do ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, também foi assinado um Memorando de Entendimento para o Programa de Desenvolvimento local (Angola).

Outro Memorando de Entendimento versou sobre as Iniciativas de Saúde e Contrato de Concessão para a construção e exploração da Central Fotovoltaica de Caraculo, no Namibe.

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) e o grupo italiano ENI constituíram, em Junho último, uma empresa para a produção de energia renovável, que entrará em funcionamento no início de 2020.

Na altura, o director-geral adjunto da ENI Angola, João Silva, afirmou que o projecto será executado em duas fases na região de Caraculo, província do Namibe, Sul de Angola, indo parte da energia produzida para a vizinha província da Huíla. Embora o projecto não esteja ainda quantificado, cada uma das fases deverá produzir 25 megawatts de energia eléctrica.

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