Samakuva apela aos congressistas a escolherem um líder congregador

arrancaram ontem, em Luanda, os trabalhos do XIII Congresso da uNITA, que terminam nesta Sexta-feira, 15, com a eleição do novo presidente desta força política, em substituição do actual líder, Isaías Samakuva

Quando faltam 48 horas para o fim do seu mandato de 16 anos à frente da UNITA, Isaías Samakuva quer que o seu sucessor seja um líder congregador e que corresponda aos anseios dos militantes Cinco candidatos concorrem à liderança da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, José Pedro Kachiungo, Raul Danda, Kamalata Numa e Alcides Sakala Simões, sendo apenas um que deverá merecer a confiança dos mil e 150 delegados ao conclave.

No seu discurso de abertura, o ainda presidente da UNITA, Isaías Samakuva, afirmou que este conclave realiza-se num momento histórico, similar àquele em que se iniciou a Longa Marcha ou àquele em que se assinou a paz, em Bicesse.

Falando para os mais de mil de legados a este magno evento, o líder considerou-o como sendo daqueles momentos em que o partido que dirige precisa ser “presidido e movido pelo patriotismo”. Sendo o seu penúltimo discurso como presidente da UNITA, Samakuva apelou à coesão para colocar os interesses do partido acima dos interesses pessoais, “privilegiando a cidadania e não a partidocracia”.

Escolher bons líderes

Durante o seu discurso, interrompido várias vezes por ovações pelos delegados, o líder da UNITA apelou, entre os cinco concorrentes, a escolherem um candidato que corresponda às expectativas de todos os que se revêm no projecto do Muangai.

“Os congressistas devem saber escolher líderes com capacidade de congregar e não dividir”, afirmou, para quem os líderes devem ser honestos e disciplinados, capazes de formar um núcleo sólido para constituir a nova direcção executiva e para trabalhar em equipa para “a conquista do Poder do Estado”.

Reconciliação interna

Fazendo uma viagem histórica ao passado do partido que dirige, caracterizado por maus e bons momentos, Samakuva entende que esse passivo deve ser transformado em actos de reconciliação, parafraseando o líder-fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

Recordou que durante a realização da XVI Conferência, realizada na fase final do conflito, Jonas Savimbi tinha considerado essas situações todas como fazendo parte de um passivo “com quem devemos nos reconciliar”. Segundo Samakuva, “esse desejo e esta orientação do nosso mestre e guia não foi devidamente divulgada, como também não foi cumprida”.

O líder da UNITA considera o XIII Congresso como sendo o momento adequado para virar a página que ensombrou o passado deste partido, fundado por Jonas Savimbi a 13 de Março de 1966, no Muangai, no Moxico. “Este, deve ser, pois, o Congresso da Reconciliação Interna e Reunificação da Grande Família UNITA”, afirmou Isaías Samakuva, acrescentando ser necessário ultrapassar e deixar para atrás “tudo o que nos divide, como também precisamos de implementar a orientação contida no pronunciamento do nosso presidente-fundador”, disse.

Nesta senda, o líder do partido do “galo negro “ aproveitou a ocasião para apelar aos congressistas que este conclave não se transforme num factor de instabilidade ou num ambiente de fricção, realçando que as diferenças não devem se transformadas em divergências. “Podemos discordar, mas sem contundências e nem hostilidades para perdermos a capacidade de nos unirmos”, apontou.

Autarquias locais

A realizar-se sob o lema “Patriotismo, Coesão e Cidadania”, numa das passagens do seu longo discurso, Samakuva, que deixa a liderança da UNITA 16 anos depois, disse ser necessária a realização das autarquias locais para que os cidadãos resolvam eles mesmos os seus problemas locais, através dos órgãos eleitos.

Com a implementação do processo autárquico, atendo-se ao discurso do líder da UNITA, em colaboração com o Estado na implementação de programas e projectos, os cidadãos poderão encontrar caminhos para a saída da crise e para o desenvolvimento sustentável e harmonioso.

Candidatos convictos

Os cinco candidatos à liderança da UNITA neste conclave mostraram-se confiantes na safra eleitoral para a liderança desta força política. Em declarações aos vários órgãos de comunicação social nacional e estrangeira, foram unânimes em afirmar terem feito uma boa campanha junto dos delegados em todo o país.

Também manifestaram o interesse de trabalhar com todos os que se revêm neste partido, para fortalecê-lo e trabalhar para ganhar as eleições autárquicas em 2020, para concorrer folgado nas eleições gerais de 2022. Os trabalhos prosseguem nesta Quinta-feira com a discussão dos relatórios por subcomissões, leitura das conclusões e resoluções do XIII Congresso, leitura e aprovação da proposta do comunicado final.

Combate à corrupção

Apesar de o seu discurso ter sido dirigido aos seus correligionários, Isaías Samakuva aproveitou a oportunidade para encorajar o Presidente da República, João Lourenço, a prosseguir no combate cerrado contra a corrupção.

Samakuva entende que o Presidente da República não deve ficar pelo “meio do caminho”, sublinhando que precisa de avançar com determinação para não ser absorvido pelo forte “ movimento de cidadania em prol da verdadeira mudança”.

O político da uNITA apontou haver uma certa resistência à verdadeira mudança, denunciando haver sabotagem das iniciativas do Chefe de Estado, sem, entretanto, apontar nomes ou sectores.

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