Ajudas para as vítimas da seca “encalhadas” no Caimbambo

Centenas de camiões com bens alimentares em direcção às províncias da Huíla, Namibe e Cunene continuam retidos no Caimbambo, província de Benguela, devido ao desabamento parcial da ponte sobre o rio Calualua, em consequência das fortes enxurradas que se abateram sobre o interior de Benguela

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

O grito de socorro vem das autoridades administrativas dos municípios de Caimbambo e Chongorói. Desde a madrugada de Domingo que está cortada a circulação Benguela/Huíla, na Estrada Nacional 105, uma via estratégica para as trocas comerciais entre Angola e a Namíbia. A interrupção do troço internacional foi motivada pelas fortes enxurradas que se abateram sobre o interior da província. Assim que a ponte cedeu, o Governo provincial mobilizou recursos que resultaram na criação de uma via alternativa, de modo a não condicionar a circulação de pessoas e bens, porém, foi destruída pela corrente de água naquela via importante para a região da SADC.

No local, Leopoldo Muhongo, que se ocupa da pasta Técnica e Infra-estrutura no Governo de Benguela, afirmou que o Executivo estava a ensaiar as melhores práticas, chegando a avançar possíveis datas para a reposição da circulação. As quedas pluviais que se registam no interior são tão intensas que desafiam as autoridades nesta empreitada. Agastados, os camionistas revelam que muitos desses bens se destinam às vítimas da seca nas províncias em referência e descrevem o cenário como desolador, na medida em que as circunstâncias sujeitam-nos a pernoitar em condições precárias.

Contudo, os homens do volante lamentam o facto de muitos dos bens alimentares que levam, como peixe, por exemplo, para atenuar a carência de alimentação da população no Sul do país, estarem a deteriorar-se. Não são apenas os camionistas que se vêm prejudicados com a “fúria da natureza”. Dezenas de cidadãos fazem igualmente contas à vida, esperançados que as autoridades “competentes” invertam, o mais rapidamente possível, o quadro. Em função do aglomerado de gente, as autoridades sanitárias instalaram no local um posto do Instituto Nacional de Emergência Médica.

Alternativas falham

Em declarações à imprensa, o administrador do município do Caimbambo, José Cambiete, reconhece que as medidas alternativas que tinham sido accionadas falharam redondamente. Cambiete manifesta a incapacidade da sua administração em lidar com empreitada daquela envergadura, razão por que, preocupado com as pessoas que pernoitam no local, acena para as autoridades provinciais e centrais a implorar por apoio, de modo a que se encontrem meios viáveis para inverter o actual quadro, que caracteriza de “preocupante”. “A solução passaria, necessariamente, por meios mais sofisticados.

Implantar uma ponte metálica, numa primeira fase, porque, conforme vemos, o comprimento da ponte (com 30 metros de altura) precisa de uma intervenção maior”, considera Por seu turno, o administrador do Chongoroi, Herculano Neto, manifesta-se igualmente preocupado com o estado de algumas pontes ao longo da Nacional 105, que suporta tráfego pesado e, como tal, carecem de manutenção. Para ilustrar, o administrador aponta o estado da ponte metálica sobre o rio Cutembo, para a qual o Instituto Nacional de Estradas devia prestar alguma atenção.

“É uma ponte que precisa de manutenção constante e em que passam camiões de grande monta”, por via da qual flui todo o trânsito rodoviário regional, por ser uma estrada internacional que liga Angola a alguns países da SADC. Herculano Neto lamenta o facto de a alimentação para as populações das províncias da Huíla, Namíbe e Cunene, afectadas pela seca, e, por conseguinte, a fome, estar, neste momento, retida no Caimbambo. Até à altura que expelíamos esta peça, dezenas de homens e máquinas empenhavam-se para a reposição da circulação. Segundo soube OPAÍS, uma delegação de alto nível, chefiada pelo ministro da Construção, deverá, nos próximos dias, deslocarse ao local.

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