“Febre russa”na UNITA

Depois das eleições americanas de 2016, que Donald Trump venceu e se tornou Presidente, o mundo ocidental foi afectado por uma espécie de psicose, um receio, ou talvez apenas um subterfúgio (?) sobre a interferência cibernética russa nos processos eleitorais. Agora diz-se que a Rússia interferiu também no referendo sobre o Brexit, porque lhe interessa fragilizar a União Europeia, mas, com isso, muito se fala também da grande capacidade russa de influenciar e alterar processos democráticos nos países democráticos tecnologicamente avançados. Ao admitir, democraticamente, cinco candidatos ao lugar de presidente do partido, nesta era de expansão das novas tecnologias de informação e das redes sociais, a UNITA permitiu que a discussão sobre o seu congresso se alargasse a quem não é das fileiras. Abriu o flanco para que pessoas de fora tentassem, de alguma forma, influenciar o sentido de voto dos delegados. Na opinião pública criaram-se perfis sobre os candidatos que provavelmente nada têm a ver com a forma como são vistos internamente. Cá fora há até candidatos vencedores desde antes do congresso, há a percepção de grandes intrigas, jogo rasteiro, fala-se da interferência de agentes do Estado. Está aí: a interferência externa (a tal “febre russa”), que desde 2016 passou a ser uma sombra para os processos eleitorais e também, quem sabe, uma boa desculpa de quem perde. Hoje, a UNITA elege um novo presidente, o que dirão os outros candidatos?

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