Adalberto quer poder em 2022 “para dignidade dos angolanos”

o trabalho, segundo o novo presidente do maior partido da Oposição, começa agora e deverá ganhar maior corpo em 2020, com a realização das primeiras eleições autárquicas

A ideia é consensual no seio do partido, até mesmo entre os próprios candidatos que durante trinta dias, palmilharam o país todo com Adalberto Costa Júnior em campanha eleitoral. O novo presidente do maior partido da Oposição, que ganhou o pleito com 594 votos, é visto, pelos mil e 150 delegados ao XIII Congresso, que encerrou ontem, em Luanda, como sendo o presidente que vai tornar realidade o sonho de o partido vir a ser poder na sequência das eleições gerais de 2022.

O trabalho, segundo o Adalberto Costa Júnior, no seu primeiro discurso, já nas vestes de presidente da formação política, começa agora e deverá ganhar maior corpo em 2020 com a realização das primeiras eleições autárquicas.

O novo presidente da UNITA disse que a sua presidência vai tudo fazer para pressionar o Governo para que este aceite o desafio de realizar o pleito em todo o país e não de forma gradual, como é pretensão do partido MPLA.

Para Adalberto da Costa Júnior, a concorrência à presidência do partido já acabou. Agora, frisou, é hora de todos, desde a base à direcção, juntarem-se numa única frente, que é a de tornar o partido numa organização coesa, una e forte para fazer face ao desafio dos novos tempos, que é de “chegar ao poder e proporcionar aos angolanos melhor qualidade de vida, mais dignidade aos ex-militares, antigos combatentes e viúvas”.

Segundo o político, a UNITA sempre teve a democracia como sua divisa. E, por isso, vai trabalhar sem reservas nem remorsos e tornar a organização política numa instituição de todos.

“Não me engano que a UNITA é, entre os partidos políticos angolanos, o que mais congressos realizou e é também aquele que mais abraçou, desde há muitos anos, a pluralidade de candidaturas para eleição do seu presidente”, apontou.

“É hora de arregaçar as mangas” Por seu lado, Raul Danda, que obteve 17 votos, disse que é hora de “arregaçar” às mangas e tonar a UNITA na frente onde todos os angolano se revêm. Para o efeito, defendeu, é preciso que todos estejam alinhados aos pensamentos e linhas orientadoras do actual presidente que recebe uma UNITA unida, forte e coesa.

“Não tenho duvidas de que será um bom presidente. Basta cumprir com o que prometeu. Nós estamos aqui para o ajudar”, notou.
É jovem e saberá conduzir o partido Por seu lado, Alcides Sakala, o segundo candidato mais votado, com 422 votos, disse que, pela sua irreverência, juventude e espirito aglutinador, Adalberto da Cota Júnior vai saber conduzir o partido a bom porto, tendo apontado a simplicidade e o contacto como sendo dos principais eixos que podem ajudar o novo presidente a conduzir da melhor forma o partido.

No mesmo diapasão estiveram Abílio Camalata Numa e José Pedro Katchiungo, que apelaram para a necessidade de o agora presidente olhar mais para as bases e trabalhar para continuar a tornar o partido numa organização forte e coesa.

O adeus de samakuva

Por seu lado, Isaías Samakuva, presidente cessante, disse que sai do partido com o sentimento do dever cumprido, embora reconheça que muita coisa ficou por fazer. Segundo o político, ao longo dos dezasseis anos que esteve na direcção do partido, sempre trabalhou para que a UNITA se transformasse na força política onde todos os angolanos se revissem.

No entanto, Isaías Samakuva disse que, apesar de “ir descansar”, vai continuar a fazer parte da UNITA e torcer para que o novo presidente venha a realizar o sonho de chegar ao poder em 2022 e fazer do partido uma força presente na vida de todos os angolanos. “A UNITA deve continuar a ser a força política onde todos os angolanos se sintam representados.

Ao longo dos dezasseis anos crescemos e hoje somos uma grade família”, frisou.

Quem é Adalberto costa Júnior?

Adalberto Costa Júnior nasceu em Quinjenje (na altura pertencia a Benguela, actualmente pertence administrativamente ao Huambo), aos 08 de Maio de 1962. Chefiou a bancada parlamentar da UNITA. Formado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto e em Ética Pública pela Pontifícia Universidade Gregoriana, a política entrou na sua vida ainda muito jovem.

Tem cartão de militante da UNITA desde 1975, que integrou por influência familiar e algumas situações que reforçaram convicções e que o afastaram do MPLA, exemplo o 27 de Maio. Em 2017, esteve entre as personalidades do ano e foi muitas vezes apontado como a figura mais acertada para substituir Isaías Samakuva na presidência da UNITA.

error: Content is protected !!