Brasileiros interagem com hábitos e costumes do povo angolano

o estilo musical e a dança Tchianda, bem como a cerimónia da Mukanda (rito de passagem masculina da adolescência à fase adulta), de origem cultural Lunda Tcokwé, foi tema de uma tertúlia que teve como orador o coreógrafo angolano Inocêncio de Oliveira

O coreógrafo angolano, Inocêncio de Oliveira, abordou no início desta semana, os hábitos e costumes dos povos angolanos, num encontro realizado na Biblioteca Comunitária de Heliópolista, em São Paulo (Brasil). Na sua intervenção, o também dançarino falou igualmente sobre o estilo musical e, ao mesmo tempo, da dança Tchianda, de origem cultural Lunda Tcokwé, e da cerimónia da Mukanda, um rito de passagem masculina da adolescência à fase adulta.

A indumentária do “Mensageiro”, que das províncias do leste de Angola (Lundas Norte, Sul e Moxico), também foi retratada por este artista. Segundo ele, a sua denominação varia de acordo com a região e implica o anúncio de alguns problemas numa determinada comunidade, sobretudo quando trata-se de infortúnios. “Ele sai à rua com aro, lança a flecha na residência do familiar que perdeu um ente querido. O pessoal já conhece o código.

Por isso seguem o mascarado, que indica o caminho, sabendo que têm uma infelicidade. Mas ninguém sabe na verdade que membro de família faleceu”, contou. O artista apresentou ainda uma máscara, usada na cerimónia da Mukanda (circuncisão), do leste do país, um rito de passagem masculina, onde os jovens fazem a transacção de adolescente a adulto.

Para isso, ficam numa determinada área isolados, em aproximadamente 20 dias, sem contactos com os familiares, onde aprendem algumas técnicas, por exemplo, caçar, pescar, ser chefe de família e os modos de convivência na comunidade. Depois deste processo, é realizada uma cerimónia para apresentálos à sociedade, e assim celebrar o momento.

O também professor avançou que determinadas ocorrências numa região, somente os homens que passam por esse processo podem resolvê-las. Disse ainda que algumas mulheres em determinadas regiões do país, passam por esse tipo de cerimónia, de modos a que saibam adequar o melhor comportamento diante do marido.

Homossexualidade

Quanto a este quesito, o coreógrafo foi questionado, pelo que respondeu tratar-se de um fenómeno raro, pelo facto de os homens desde cedo serem ensinados a portaremse como tal, a partir das tarefas que lhes são atribuídas nas comunidades. Para o dançarino, a questão relacionada com iniciação masculina, e alguns rituais de passagem de uma fase a outra, ajudam a minimizar esses assuntos.

O mesmo processo acontece também com as mulheres, nas escolas de iniciação feminina. O coreógrafo lembrou que, a observância de casos relacionados a homossexualidade terem sido constatados após a proclamação da Independência do país, em 1975.

Controvérsia

Por sua vez, a professora de dança da Associação de Moradores de Heliópolis, Maria Carolina, apesar de ter respeitado esse processo, contestou tais práticas, pelo facto de no seu país merecer outro tratamento. “Isso de o homem ser homem e a mulher também me incomodou profundamente. Eles não vão deixar de ser o que são pelo facto de ser homossexual.

Não é que no interior não existe outras pessoas assim, mas é provável que tenha medo de se assumir devido à descriminação”, considerou. Quanto à circuncisão dos homens, disse desconhecer essa prática, por nunca ter contacto com pessoas que passaram pelo procedimento. “É provável que aqui tenha acontecido com pessoas de origem judaica, mas para mim é um assunto novo”, concluiu.

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