Marginais matam, mas deixam cidadão russo com um milhão de Kwanzas

Um milhão de Kwanza é a soma monetária que levou dois marginais a assinarem um cidadão de nacionalidade russa, na manhã de ontem, no bairro Alvalade, distrito da Maianga, em Luanda. A Polícia diz que a segurança pública está garantida e que está a reforçar o asseguramento A

O cidadão, de 56 anos, foi abordado pelos meliantes depois de ter saído de uma agência do Banco de Comércio e Indústria (BCI), na Avenida Comandante Valódia, distrito do Sambizanga, onde levantou tal quantia monetária. Os marginais o seguiram até ao local onde o alvejaram com dois disparos de arma de fogo, sendo um na perna e outro no abdômen, tendo a vítima morrido no local.

Este é o quarto caso do gênero, em menos de 48 horas, em Luanda, com um saldo de cinco mortos, todos baleados na sequência de assaltos em plena luz do dia. Em declarações a OPAÍS, Hermenegildo de Brito, porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, descreveu a situação de segurança como estando devidamente controlada, não obstante as ocorrências acima mencionadas.

Porém, explicou que está a ser executado um plano de segurança com vista a reforçar o asseguramento da capital do país, pelo que apelas aos munícipes a ficarem tranquilos e a desenvolverem as suas actividades normalmente. Confirmou, por outro lado, que, os meliantes, depois de afectuarem o disparo contra o cidadão russo meteram-se em fuga, a bordo de uma motorizada, deixando no local a pasta contendo o um milhão de kwanzas que ele levantara minutos antes.

Hermenegildo de Brito garantiu que as forças da Ordem trabalham afincadamente para identificarem os autores destes e de outros crimes, de modo a que sejam responsabilizados criminalmente.

De realçar que, à semelhança do que aconteceu em relação aos crimes registados na Quinta-feira, as imagens do cidadão russo estendido no chão também se tornaram virais nas redes sociais e acabaram por aguçar ainda mais o clima de medo que se instalara entre os citadinos.

Conforme noticiou este jornal na edição de ontem, entre Quarta e Quinta-feira quatro pessoas perderam a vida no decorrer de quatro assaltos à mão armada. As situações, ocorridas em diferentes pontos de Luanda, tiveram o objectivo primário de subtrair os pertences das vítimas, mas a forma como aconteceram criaram pânico.

O vídeo mais partilhado nas redes sociais é o de um senhor, vítima de assalto à mão armada, na baixa de Luanda, propriamente nas imediações do Tribunal Provincial “Palácio Dona Ana Joaquina” e do Ministério das Relações do Exteriores.

O cidadão, que segundo relatos aparenta ter 50 anos de idade, foi morto à tiro, depois de ter saído de uma agência bancária nas proximidades. Indivíduos que se faziam transportar numa motorizada não pouparam a vida dele, disparando à queima-roupa, depois de lhe terem surripiado uma pasta (que supostamente continha dinheiro).

O senhor perdeu a vida mesmo no local do crime, neste caso, dentro da sua viatura, de marca Hyundai I10. Segundo o intendente Hermenegildo de Brito, o senhor saía do Banco Keve e tinha ido fazer a troca de valores a uma quinguila. Seguido e interpelado pelos meliantes que bateram no vidro do carro e pediram a pasta, o condutor da viatura mostrou resistência, facto que fez com que um dos meliantes disparasse para a sua cabeça. Até ao momento não se tem avaliada a quantia monetária roubada.

O segundo assalto, ainda na Quinta-feira, aconteceu nas proximidades da FAPA, no bairro Cassenda, quando a vítima, à saída do banco onde levantara 900 mil Kwanzas, foi perseguida por dois indivíduos armados a bordo de uma motorizada. Os meliantes dispararam contra o motorista quando este se apercebeu que estava prestes a ser assaltado.

A vítima foi baleada na cabeça, segundo o intendente, e perdeu o controlo da viatura, bateu contra o lancil e capotou. O motorista ainda foi socorrido na Clínica Girassol, onde veio a perder a vida.

A única vítima mortal foi o motorista da viatura, pelo que o proprietário da viatura (uma alta patente da Polícia Nacional, comissário-chefe Inaculo), que estava na parte de trás, foi encaminhado ao Hospital Militar, também porque a sua tensão arterial estava alta, onde foi acompanhado pela equipa médica.

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